[B14 34ª] CRICIÚMA 0x3 GRÊMIO

Mesmo a prazo, em duas prestações, Felipão conseguiu devolver os 7×1.

Não para a Alemanha. Não por uma seleção qualquer mas, sim, pelo clube da sua vida: depois de uma insofismável TUNDA DE LAÇO no #Grenal403 .

Aí, vocês perguntam: “Mas como ‘devolveu’?! Vamos por partes:

– O Grêmio SAPECOU 4×1 no Tradicional Adversário após NOVE clássicos sem vitória em mais de QUATORZE MESES. Ainda neste século, já sofremos quatro gols deles em duas oportunidades.

No último clássico pelo Gauchão também disputado na nossa Arena, na saída, vi muitos gremistas exclamarem “NÃO AGUENTO MAIS PERDER PRA ELES!!!”.

Foi uma REDENÇÃO para um time que vinha desacreditado, pois cansou de vencer por uma única bola, com atuações bisonhas dos meias e dos atacantes, apesar de termos uma defesa hoje com o recorde de VINTE clean sheets (fichas limpa, ou jogos sem sofrer gols) em 34 rodadas.

– Na segunda parte dessa semana feliz, apenas seis dias depois do histórico clássico supra citado, na sempre perigosa MASMORRA do Heriberto Hülse (não por acaso apelidado de “Mini Bombonera”), 23 anos após a final da Copa do Brasil na qual o mesmo TIGRE, treinado pelo NOSSO Felipão, nos derrotara com o regulamento debaixo do braço, conseguimos EXORCIZAR mais um adversário ENCARDIDO, que sempre nos enfrentou com extrema TENSÃO, independentemente da qualidade ou da confiança desse time da região carbonífera sul-catarinense.

Os contestadíssimos Pará, Ramiro, Dudu e Luan jogaram bem ambas as partidas. Também pudemos repetir a mesma escalação por duas rodadas consecutivas e – se tudo der certo até a próxima quinta-feira – também poderemos repeti-la em mais um duelo pesado, em mais um jogo-CHAVE para o nosso SONHO do TRI DA AMÉRICA.

Apesar da DEBILIDADE TÉCNICA e da FRAGILIDADE EMOCIONAL dos jogadores do Tigre em função de ocuparem a LANTERNA do Brasileirão 2014 como HABITUÉS do Z4 há uma considerável quantidade de rodadas, a confiança, a segurança e a mesma INICIATIVA do Grenal foram vistas ontem em Criciúma: tivemos novamente um Zé Roberto seguro na marcação, conhecedor dos ATALHOS que o seu corpo de 40 primaveras exige para poder manter-se saudável e participativo; voltamos a ter o nosso PIRATA como goleador, desta vez aparando de cabeça um ESCANTEIO (sim, senhorxs: conseguimos marcar um golo de corner após tanto tempo!) cobrado pelo próprio Z10; RAMIRO (quem diria: o jogador que mais erra passes em todo o plantel tricolor) voltou a marcar novamente, surgindo feito um RAIO como “efeito surpresa”, ocupando a posição de centroavante, invadindo a área  e tocando na saída do goleiro. E, pra completar, o LILLIPUTIANO Dudu abriu o placar após roubar a bola de um desatento zagueiro que, para a nossa felicidade, CHUPOU BALA na hora de dominar a bola e o nosso AZOUGUE vindo da Ucrânia ultrapassou-o em velocidade para tirar do goleiro com muita categoria.

Esses seis gols de saldo obtidos em duas partidas superaram imensamente a quantidade de partidas que o nosso TRICOLOR DOS PAMPAS levara para abrir a mesma meia dúzia de gols entre vários 0x0, uma derrota ou outra e um montão de partidas nas quais vencemos por uma única bola.

Felipão recuperou Z10 para a sua posição original, encontrou uma dupla de zaga sólida, conseguiu convencer Pará, Ramiro e Barcos a fazer o SIMPLES (pois só assim conseguem ENGANAR as suas próprias limitações em uma comovente demonstração de HUMILDADE E INTELIGÊNCIA) e revelou o centromédio WALACE, um menino com sapiência de veterano, que arrumou todo o posicionamento e a cobertura tanto do meio para a frente quanto do meio para trás, servindo tanto como uma obsessiva cobertura quanto um competente homem de transição, que marca com virilidade sem sofrer cartões e sem nenhum sobressalto emocional, iniciando os contra-ataques mediante um ótimo passe.

Passamos muito tempo reclamando da baixa qualidade técnica e do baixo envolvimento emocional do time para com a torcida. E com razão. Contudo, apesar de ainda não termos ganhado absolutamente NADA, em outras temporadas nas quais a disputa pelas vagas à Libertadores ou pelo título eram acirradas, infelizmente, éramos os primeiros a abdicarmos do prêmio máximo em função de uma sequência quase inexplicável de erros absurdos já na bacia das almas de cada torneio.

Desta vez, estamos aí, segurando o rojão: Fluminense, Atlético-MG, Internacional e Corinthians costumam marcar um ou três pontos na maioria das rodadas. Em outros tempos, o primeiro a se desgarrar era o Grêmio. Desta vez, ainda que faltem quatro longas e inquietantes rodadas, PARECE que vimos num crescente.

Pois que tudo continue assim. Mas, caso algo errado ocorra, vale lembrarmos-nos de que 2015 nos dá uma ESPERANÇA que há muito tempo não tínhamos diante de nosso olhos e corações. ;)

#GRE4x1NAL : A ARBITRAGEM QUASE AVACALHOU O JOGO

Mais claro impossível: Alan Ruiz provocou muitíssimo de leve os colorados ao dirigir-se para o banco de reservas colorado na comemoração do #QUATRILHOTRICOLOR. Porém, seu pai e sua namorada estavam na arquibancada inferior oeste, exatamente atrás da casamata cedida ao visitante.

No mais, um árbitro minimamente responsável pela sua atividade e pelo bom andamento da partida teria expulsado Willians (que bateu até na sombra de sua mãe com várias reincidências) e o próprio D’Alessandro que, ao perceber que a vaca já havia ido para o brejo, deu um VASSOURÃO sem bola em Fellipe Bastos.

Catimba por catimba, os argentinos empatam. Contudo, D’Alessandro é covarde e ardiloso, pois procura sempre tirar o seu da reta com muitas desfaçatez, procurando sempre arrastar algum(ns) adversário(s) consigo, ludibriando a arbitragem.

Sempre que os jogadores adversários utilizam-se de sangue frio e inteligência suficientes para deixá-lo falando sozinho, ele apela para a violência. A pior coisa para um desequilibrado compulsivo é que o alvo da sua tentativa de picaretagem o olhe com serenidade, com indiferença e lhe dê uma lição de moral em poucas palavras, sem ofensas, sem olhar raivoso: foi assim contra o zagueiro corintiano (ex-Grêmio FBPA) William, após a final da Copa do Brasil de 2009, quando o pequeno argentino interpretou o patético papel de um pugilista e, à distância, o zagueirão alvinegro apenas sorria.

Ontem, ele repetiu a atitude infantil diante de Hernán Barcos, no primeiro “bolo”: ele fez menção de agredir o Pirata, que apenas esticou o seu braço para manter o capitão vermelho a uma distância confortável.

Tudo isso ocorreu porque Flávio de Oliveira e seu bandeira foram extremamente fracos: se D’Alessandro tivesse sido expulso logo após o “vassourão” em Fellipe Bastos, nada disso teria acontecido. Os ânimos acirraram-se e o campo de distorção da realidade colorada aumentou a reação e o interesse real do algoz Alan Ruiz quando o bandeira, que havia sugerido a Fellipe Bastos que denunciaria D’Alessandro a Flávio de Oliveira assim que a bola parasse, se fez de louco bem na hora em que foi assinalada a falta que Zé Roberto cobrou magistralmente para o 4º gol tricolor.

Fraco. Incompetente. Ao menos, honesto: o árbitro sequer considerou que Alan Ruiz tenha provocado o banco colorado.

É… Há muito o que consertar do outro lado.

Mas o ditado diz: “cada um com seus brinquedos”… #LOL

[B14 33ª] GRÊMIO 4×1 INTERNACIONAL

http://espn.uol.com.br/video/457296_brasileiro-gols-de-gremio-4-x-1-internacional

Terminei o post anterior dizendo que apostava em 3×1 para o Grêmio. Pois é nessas horas que digo como adoro quando a realidade prova que eu entendo menos de futebol do que acho que entendo: não fizemos “apenas” três mas, sim, retumbantes QUATRO a um. 1, 2, 3, 4. \o/

Eis que o clichê “nem mesmo o torcedor mais otimista ou o mais fanático imaginariam uma goleada” entra em ação. Mas não vou fazer uma análise tática, pois este post trata da intuição e de uma observação nada metódicas.

Após uma semana de convalescença de uma infecção por rotavírus, de uma aula sensacional sobre mídias digitais para a extensão em Gestão Esportiva em parceria da Unisinos com o Grêmio no auditório da Arena e da visita a um amigo muito querido que perdeu tragicamente sua esposa e que mora no Humaitá, eu simplesmente não tinha como imaginar que algo ruim pudesse acontecer.

Normalmente, assisto a vários jogos das ligas europeias na TV durante o sábado e a manhã de domingo, além de acompanhar as resenhas e os comentários dos jogos do Brasileirão. Essa overdose tem um cunho profissional, além de envolver muita paixão e de ser acompanhada pela Lúcia, que adora futebol e acompanha pau a pau comigo. Também tem a Mãe, que não assiste muito, mas dá força e gosta de me ouvir falar sobre o esporte bretão.

Não raro, após observar fascinado a performance de times “fracos” como os do Bayern München, Real Madrid, Barcelona, Chelsea, Porto, PSG, Juventus e até mesmo os disputados jogos entre os principais clubes da Rússia, da Ucrânia e da Holanda, costumo chegar à Arena meio decepcionado: como eu sei que o Grêmio dificilmente acertará os contra-ataques em velocidade, os cruzamentos, os escanteios ou fará apenas um gol, mesmo sem jamais deixar de crer no Tricolor, costumo me conformar com as nossas limitações.

Desta vez, foi diferente: apesar do Bayern ter goleado o Eintracht Frankfurt; do clássico moscovita entre Dínamo x CSKA ter sido muito disputado e de eu não ter sabido de antemão que a Juventus esmagaria o pobre Parma, não cheguei à Arena com aquele jeitão de “vamos ver no que dá… Tomara que eu seja surpreendido”.

Poucas vezes parei pra analisar a escalação deles. Mas, desta vez, me liguei para o fato de que eles usariam o goleiro, os laterais e um dos zagueiros reservas. Também nutri uma profunda tranquilidade quanto à nossa defesa e – sem sequer imaginar qual seria a solução – também achava que o nosso ataque receberia as bolas necessárias.

Tudo isso em pleno aniversário do Felipão.

Enfim… Havia uma série de associações sem pé nem cabeça, mas que me engrossaram bastante.

Ao chegarmos à Arena, comecei a fotografar a subida da multidão pela rampa sul. Na entrada do portão C, pus as mãos nos bolsos e não senti a minha carteirinha de sócio. Avisei a Lu e o Léo que iria correndo até o Quadro Social para fazer outra.

Quando a moça do guichê me chamou, eu ainda estava esbaforido, mas confiante de que eles imprimiriam uma nova ali, na hora. Quando ela me pediu a identidade, “PLOP!”: caiu a minha carteirinha, que havia ficado solta dentro da carteira, fora do compartimento correto. Nos olhamos, sorrimos e eu voltei correndo para o portão X, que era mais perto do P, onde se encontra o QS.

Entrei e subi para o ponto tradicional do setor 401, onde ficamos algumas fileiras acima dos amigos dos Sócios Livres (Junka, Fabiano, David…). Por solidariedade, o Léo disse que não entraria enquanto eu não entrasse, mas eu só fiquei sabendo disso pela Lu lá em cima, quando eles chegaram depois de mim. Querido!!! <3

Há anos, inventei duas superstições negativas. Porém, desta vez, estava seguro de que nenhuma delas se concretizaria: uma delas diz que o Grêmio costuma sofrer gol de jogadores com nomes pra lá de esquisitos. O Tradicional Adversário promoveu a entrada de Taiberson, mas eu sequer me preocupei. A outra diz que (ou, melhor, eu digo que) o Tricolor dificilmente ganha quando há pessoas “estranhas” no setor que ocupamos. Essas coincidências até aconteciam no Olímpico. Claro, quando estávamos dispostos a prestar atenção a elas. Na verdade, para fins estatísticos, provavelmente sejam irrelevantes.

Assistimos o jogo ladeados por duas figuras pitorescas: à minha esquerda, um jovem de vinte e poucos anos parecidíssimo com o meu amigo Boi. Poderia até ser filho dele. O guri me deu um abraço de urso na comemoração do 1º gol e papeou um pouco comigo e com o Léo. Já à direita, tinha um moço magro e moreno, com mais de trinta, com uma senhora nareba. Ele estava muito descontrolado com os erros do time. Mas, assim que saiu o gol, chorou feito criança. Me parecia que este fosse seu primeiro jogo na Arena. No 2º tempo, ele foi para outro lugar e não o vimos mais.

Desde a primeira arrancada de Dudu na saída de bola obrigando Alisson a fazer uma defesa difícil a menos de dez segundos de jogo, senti que esse lance não seria “fogo de palha”, nem que correríamos o sério risco de termos – mais uma vez – a concretização do provérbio “quem não faz, leva”. Sei lá… Essas coisas não me abalaram nem um pouco hoje.

O único lance preocupante foi o da bicicleta de Nilmar. Do lado do Grêmio, a sucessão de passes errados de Ramiro, além da costumeira lentidão de raciocínio de Luan, incomodavam. No entanto, Rhodolfo e Geromel estavam seguríssimos. Walace foi um gigante, com uma atuação digna de um volante do Real Madrid com mais de 100 jogos e duas Copas do Mundo pela Seleção. Dudu, apesar de chutar pouco e mal, incomodou demais a zaga colorada com uma série de “costuradas” em alta velocidade. Barcos, mesmo fora da área, foi implacável na marcação, no pivô e na “parede”, garantindo bastante tempo de posse de bola no campo de ataque. Pará foi mais uma vez outro destaque positivo.

Por outro lado, Fillipe Bastos e Zé Roberto estavam errando bastante: a bola parecia que lhes queimava os pés.

Contudo, Aránguiz, D’Alessandro, Alex, Alan Patrick… Nenhum deles jogou absolutamente nada durante todo o 1º tempo. Em outras situações, eu até poderia ficar surpreso com a nossa eficiência. Não desta vez… ;)

O Grêmio “mordeu”. O Grêmio pressionou. O Grêmio se adiantou, mas o sistema de cobertura estava bárbaro. Até agora, estou abismado com a intensidade de Walace na marcação e com o baixo índice de passes errados desse guri que é uma verdadeira fortaleza. Ele cresce a passos largos!

Aos 27′, o primeiro gol, que eu sentia que não seria o único: Dudu arrancou pela direita, envolveu o pobre lateralzinho colorado e serviu Luan, que vinha mal até então. Bastou ao meia empurrar a bola para as redes e ver a Arena delirar!

Interessante foi ver que, caso Luan errasse em bola, Barcos estava ali para conferir. E algo muito parecido aconteceu no 3º gol, aos 30′ do 2º tempo, onde havia outro para conferir caso Alan Ruiz não tivesse convertido, após uma cobrança de falta com o pé esquerdo do bico direito da grande área por Zé Roberto, que Rhodolfo penteou o suficiente para imobilizar o amedrontado goleiro colorado e sobrar para o argentino.

O segundo gol, no comecinho do 2º tempo, foi um contra-ataque de concurso: Dudu arrancou em velocidade e serviu Ramiro, que, a exemplo de Luan, também redimiu-se de uma série de passes errados durante a primeira etapa tirando do goleiro livre, na entrada da área.

Felipão substituiu os autores dos dois primeiros gols: primeiro, Ramiro saiu para a entrada de Giuliano. Em seguida, Luan deu lugar a Alan Ruiz. Isso compensou a entrada de Rafael Moura, que acertou um tiro de longa distância quase improvável para um centroavante de área e descontou. Isso deu um gás aos colorados e nos preocupou. O timing das substituições foi absolutamente ideal, pois Giuliano entrou, quase marcou, quase deu uma assistência, infernizou os volantes colorados e mostrou que é superprofissional e que está realmente envolvido com o Grêmio ao levantar a torcida e ao vibrar MUITO com os gols. Nem parece aquele jovem que fora decisivo na segunda Libertadores deles. Isso me emocionou tanto que eu chorei um pouquinho.

A pá de cal foi aos 36′ do 2º tempo, com o mesmo Alan Ruiz, que havia entrado em lugar de Luan: ele conferiu para o fundo das redes um “come” antológico de Dudu em Aránguiz, que tocou para trás para o argentino concluir com simplicidade e categoria no mesmo lance.

Voltar pra casa gritando “um, dois, três, quatro!” é uma delícia!

Na volta, paramos no Iguatemi. A ideia inicial era comermos um panini na Petiskeira, mas o Léo chegou a mencionar no caminho uma vontade de ir ao Riverside’s Grill. Eu estava seco por um sushi, mas não mencionei isso na hora. Acabamos na Fratello Sole, que, pra mim, é a melhor pizzaria do sul do país.

Depois, voltamos pra casa e vimos algo maravilhoso que a Mãe não fazia há muito tempo – acender a luz do quarto em que ela assiste TV com a persiana aberta, para todo mundo ver a bandeira tricolor iluminada! \o/

Sábado que vem, no pavoroso Heriberto Hülse, temos o desesperado Criciúma. Não podemos nos dar o luxo de vacilar.

Tomara que a goleada no clássico #403 tenha servido pra preparar um 2015 repleto de frutos graúdos! ;)

[B14 33ª] ANTES DE GRÊMIO 4×1 INTERNACIONAL

Durante muitos anos, tudo o que eu falava ou sentia durante a semana Grenal refletia alguns sentimentos que, após os jogos, se transformavam na mais pura frustração.

Às vezes, sem nenhum indício claro de que fôssemos superiores ou minimamente parelhos em relação a eles, eu procurava dizer que acreditava. Porém, lá no fundo, eu não levava muita fé no nosso Grêmio, não.

Em outros momentos, eu simplesmente procurava forçar a barra pra esquecer do quão inferiores éramos, mentalizando que tinha que anular toda e qualquer memória sobre o fato de eles terem muito mais chances do que nós.

Finalmente, a terceira alternativa era a de acreditar que ia dar, que realmente dava pra comparar os times e observar o momento para imaginar uma superioridade que parecia ser verdadeira.

Medo, pavor, pessimismo absoluto, confesso que nunca tive. Nunca me passou pela cabeça desistir de ir a algum Grenal por pensar que o jogo já estaria jogado ou, pior: pensar que o Tricolor dos Pampas viria a ser goleado, mesmo quando era límpido como água pura que o nosso time era tenebroso.

O medo imobiliza e o pessimismo desmobiliza. Porém, cheguei a um ponto onde não posso mais ficar simplesmente preso a uma forma catártica e puramente emocional de encarar cada Grêmio de cada contexto. E é bastante difícil não confundir o realismo ou um necessário cuidado com o pessimismo. Apatia nunca é solução. Mas o melhor remédio para a raiva ou para a tristeza é tentar fazer o melhor possível encarando os fatos.

Pois bem: a maior injeção de ânimo que poderia ter dado em mim mesmo para tornar o meu discurso verdadeiro para comigo e para todxs xs amigxs tricolores foi o compartilhamento dos golos de muitos clássicos vencidos por nós naquela que foi a Era de Ouro vivida por mim como gremista: um tempo  em que a imaturidade potencializa a paixão, onde houve uma autonomia concedida pela família e merecida por mim pra eu poder frequentar o Olímpico sozinho ou com amigos. Felizmente, tínhamos um time amplamente superior e ainda era sentimentalmente importante considerarmos o Gauchão um torneio valioso.

Essa é a época que o comentarista Paulo Vinicius Coelho, o @pvcespn , diz que é quando se consolida a paixão pelo clube e pelo futebol em si, onde lembramos de muitos detalhes e vivemos intensamente cada jogo: é a memória do menino.

Não vou dizer que tal época foi melhor ou pior, nem que tal time é que realmente era “o” melhor de todos. Mas cada um de nós tende a achar que, quando o Grêmio levanta taças e vence vários grenais em sequência, aquele é o “SEU”, o “MEU” time. E essa identidade tende a se firmar na adolescência.

Completei 41 anos no dia 23/05/2014. Nasci em 1973. Naquela época, felizmente, eu era pequeno demais pra guardar qualquer lembrança triste de uma infinidade de anos sem títulos e de até 14 clássicos consecutivos sem vitórias. Quando me entendi por gente dentro do Olímpico, já tinha seis anos. A memória mais forte eu tenho do primeiro semestre do ano em que completaria oito anos: poucas semanas antes do meu aniversário, o Grêmio foi campeão brasileiro pela primeira vez. E eu havia ido a quase todos os jogos, exceto três.

Meu primeiro Grenal em estádio foi no Beira-Rio. Creio que tenha sido no final de 1983. Meu irmão Ricardo levou-me junto com seu amigo Sérgio. Foi aquele em que levamos dois golos de Geraldão e um de bicicleta de Mauro Galvão. Talvez fosse um daqueles motivos pra eu sentir muita raiva ou uma profunda melancolia. Mas jamais chorei de tristeza pelo Grêmio – só de alegria.

Em 1983, conquistamos a América e o Mundo. Eu fui a quase todos os jogos daquele Libertadores, menos contra o Flamengo pela fase de grupos. Apesar de termos atingido o topo, ainda eram anos de poucas vitórias em grenais e de mais títulos estaduais para eles.

Porém, a partir de 1985 e até 1990, portanto, dos meus doze aos dezessete anos, o Grêmio foi hexacampeão gaúcho. E o meu time do coração foi o que teve mais continuidade e menos mudanças ao longo de todo esse longo período: o que ainda possuía alguns remanescentes de 1983, recebia alguns reforços pontuais e muito qualificados e valorizava as pratas da casa.

Mazaropi, Alfinete, Bonamigo, China, Osvaldo, Valdo, Lima, Jorge Veras: esses oito estiveram entre os jogadores mais marcantes da minha história como torcedor: apesar de termos conquistado apenas uma Copa do Brasil e seis Gauchões durante todos esses anos, o Grêmio já havia atingido a sua maioridade como grande clube sul-americano, respeitado e temido por todos. Nos Brasileirões, costumávamos figurar entre os primeiros, não nos classificando para as semifinais ou finais por detalhe, em uma época em que a maioria dos grandes clubes brasileiros possuíam times excelentes e muito parelhos entre si.

Lembrei-me da geração imediatamente anterior à minha, que teve o prazer de assistir o Grêmio conquistar o bi da Libertadores, o bi do Brasileirão e mais três Copas do Brasil também entre seus 12 e 17 anos. Também lembrei-me de que, já aos 18 e 19 anos, durante a faculdade, tive serenidade suficiente pra entender e lamentar o primeiro rebaixamento e o calvário da primeira Série B. Aí, voltamos a perder Gauchões e grenais, mesmo que o time deles também fosse fraco.

Pois bem: veio aí a memória dos meninos que tiveram em Danrlei, Arce, Dinho, Goiano, Arilson, Carlos Miguel, Paulo Nunes e Jardel o SEU Grêmio que, para eles, sempre seria melhor do que outro que não conquistou os mesmos títulos, de um período em que suas lembranças praticamente inexistem.

Pois a geração seguinte sofreu muito mais: sem uma referência crível de carisma, de liderança e tampouco de títulos relevantes, se ainda consegue recordar-se da Copa do Brasil de 2001 e do brilhante e efêmero time de Tite, teve que se contentar em aceitar Tcheco, Sandro Goiano e outros menos votados como se fossem a última bolachinha de um pacote mofado.

Ainda vivemos vacas macérrimas: sobretudo quando insistimos em nos compararmos a eles, ainda que não estejam os melhores, mas só porque deixamos de ser nós mesmos enquanto eles se espelharam em nós. Isso gera autofagia e dor, esquizofrenia e autismo, além de reforçar o sempre perigoso mito do eterno retorno.

Nossa paixão tem sido represada há tanto tempo que temos uma imensa dificuldade de sabermos se precisamos MESMO ser tão exigentes com um plantel que apresenta muito mais limitações do que gostaríamos que tivesse, ao passo que sabemos que não podemos ter nenhuma condescendência caso ainda queiramos nos olhar no espelho e dizermos do fundo do coração que nunca deixamos de ser grandes.

Um outro grave vício acarretado por esse hiato geracional de títulos é uma disputa fratricida que toma tempo e não nos traz nada de positivo sobre quem entende mais de futebol, quem é “mais” ou “menos” gremista e sobre quem torce “melhor” ou “pior”: de maneira geral, todos pecamos em forçar comparações incomparáveis para tentarmos justificar o injustificável. Não pode haver o “teu” Babá, o “meu” Tarciso nem o “teu” Paulo Nunes (se é que vocês me entendem).

Essa disputa sem vencedores também evoca um outro campo de distorção da realidade que fatalmente acomete os dirigentes que, como representantes eleitos dos associados, são, como praticamente todos nós somos, amadores: trata-se da supervalorização do nosso pouco e do hipócrita não-reconhecimento da superioridade do outro.

Precisei fazer essa enorme digressão (e espero que todos tenham tido a paciência e o carinho de ler e de refletir comigo até aqui) pra entender e relatar de onde tirei a confiança necessária pra chegar confiante na Arena neste histórico domingo 09/11/2014 sem nenhum pensamento mágico. ;)

Pois o vídeo do grenal mais marcante está aqui. E bastou pra eu enfiar na cabeça que seria 3×1 para o Grêmio ontem.

POR QUE OS TÉCNICOS PRECISAM DOMINAR A LINGUAGEM DOS GAMES

Olha, “tigrada” querida,

Vocês sabem que o meu maior passatempo é observar times, jogadores, campeonatos de futebol mundo afora.

Então, já perceberam que eu canso de criticar – com muito lamento – a atual situação do futebol brasileiro, na qual os meninos das categorias de base são criados por mecenas inescrupulosos e por pais ignorantes e gananciosos que já põem na cabeça de seus pupilos que a vida deles será na Europa.

Quem gosta de futebol sabe que não há nenhuma novidade nisso. Mas precisamos repetir ad nauseam para que a situação melhore: afinal de contas, somos militantes e ativistas pela causa do bom futebol.

Em função disso, o futuro do futebol brasileiro não cria identidade, não demonstra reconhecimento, não sente gratidão, não atribui valor a quase nada ou a quase ninguém. Esse círculo vicioso os induz a já se desenvolvem sem garra, sem valorizar a quem lhes ajuda. Por não se importarem com o sentimento do torcedor, são incapazes de perceber que – por tabela – não se importam consigo mesmos.

Então, sobra para nós, torcedores, e para os nossos clubes centenários, o rebotalho: passamos, então, a acumularmos jogadores medíocres e ruins, além do enganoso ganho de qualidade oriundo da repatriação de veteranos fisicamente débeis, cuja motivação é sempre duvidosa.

Aí, quando temos um time bom, bem armado, que procura não acelerar nem segurar demais a introdução dos jovens pratas da casa; com dirigentes inteligentes e modernos, que mantêm técnicos por duas ou mais temporadas; e que conquistam títulos… Em um dado momento, bem antes desse time atingir o seu apogeu, ocorre uma debandada para a Europa.

Entendo o mercado, os poderes econômico e político, etc. Mas, ainda assim, é preciso reconhecer que nem tudo está perdido.

Tenho assistido à Serie A TIM (primeira divisão da Itália), à Ligue 1 (primeira divisão da França), à Eredivisie (primeira divisão da Holanda), à Primera División (Argentina), à Liga Bancomer MX (primeira divisão mexicana) e à MLS (Major League Soccer, a liga profissional estado-unidense). E, em linhas gerais, onde a qualidade técnica não chega a ser tão baixa, há apenas dois ou três postulantes ao título, além de os candidatos ao rebaixamento serem quase sempre os mesmos.

As exceções são a Barclay’s Premier League (Inglaterra) e a 1.Bundesliga (Alemanha), que apresentam – no mínimo – três ou quatro times capazes de disputar o título e uma alternância maior entre os pobres candidatos à degola. Não por acaso, são as ligas em que há mais dinheiro rolando e maiores cobranças em relação à responsabilidade fiscal e contábil.

O Brasil perdeu a espontaneidade do drible e a inteligência do improviso quando a especulação imobiliária acabou com a existência dos campos de várzea nas grandes cidades. Outro fator de perda de qualidade e de diversidade também foi a proliferação de gramados sintéticos pagos e de escolinhas cujo acesso só é possível a crianças de classe média e alta.

Os melhores professores de Educação Física e os técnicos mais experientes poderão me corrigir e até mesmo me ajudar: a IMPRESSÃO que eu tenho é a de que, antigamente, nossos craques eram mais espontâneos e independentes, embora – em sua maioria – também fossem desescolarizados e ingênuos. Apesar disso, possuíam maior autonomia de opinião e maior personalidade para bater no peito e chamar para si a responsabilidade de decidir uma partida. Hoje, com escolas públicas piores, os que estudam apresentam um déficit cognitivo. E, em meio a uma sociedade que regrediu ao autoritarismo velado e a uma falsa religiosidade que rebaixa pessoas a rebanhos passivos, fieis, obedientes e medrosos, se “agrandou” a “cagação” de regras por parte da maioria dos treinadores, cuja importância parece ser exagerada desde que a eles se atribuiu o rótulo de celebridades e de “doutores” em futebol.

A “boleiragem” pura e o “cientificismo” puro não dão conta nem da diversidade, nem da necessidade do entendimento da personalidade, bem como da precisão na identificação das características positivas e das falhas que os meninos precisam corrigir. Nesse sentido, o aperfeiçoamento acadêmico e empírico da Fisiologia, da Nutrição, da Psicologia Clínica, da Medicina e da Educação Física realmente nos proporcionam uma infinidade de ganhos. No entanto, o predomínio da SENSIBILIDADE é o verdadeiro motor do método bem aplicado.

Mesmo assim, até mesmo o videogame (PES e FIFA) tem sido importantíssimo para compensar o déficit educacional e a linguagem equivocada da maioria dos técnicos, que não se decidem entre o “boleirês” e o “professoral”: a quantidade de canais de TV que mostram campeonatos estrangeiros só aumenta, além do aperfeiçoamento dos comentaristas contemporâneos, que não são mais meros analistas de boteco.

De volta ao FIFA: a configuração das câmeras e a possibilidade de o próprio menino escolher jogadores; observar as valências de cada um e a comparação constante a sua atuação no futebol virtual em relação ao jogador “de verdade” na TV muitas vezes ensinam muito mais em termos táticos e em posicionamento do que muitos técnicos que temos hoje em dia.

Notem bem: temos aí Cruzeiro, São Paulo, Internacional, Grêmio, Atlético-MG, Fluminense e Corinthians degladiando-se ponto a ponto, gol a gol, rodada a rodada, tanto pelo título quanto por uma vaga à Libertadores 2015. Muitas vezes, equilíbrio não é sinônimo de qualidade. Vemos, em todos esses times, qualidades de primeira linha, mas também falhas bisonhas. Nenhum deles é imbatível. Mas apresentam, sim, um grau de qualidade MÉDIO superior ao da maioria dos times que disputam as ligas que eu citei parágrafos atrás.

Agora, imaginem se conseguíssemos manter a maioria dos melhores jovens por mais tempo – pelo menos até uns 24 anos de idade, momento em que estão próximos do auge; imaginem também se os nossos técnicos APRENDESSEM A SE COMUNICAR COM A LINGUAGEM DOS GAMES E DOS COMENTARISTAS QUE SE BASEIAM NA HISTÓRIA E NAS ESTATÍSTICAS…

…Certamente isso traria reflexo à Seleção e garantiria que teríamos Brasileirões emocionantes como o de 2014 praticamente todos os anos.