[BR15 15ª] GRÊMIO 1×1 SPORT

Desde que Roger assumiu, o aumento no esforço e na dedicação dos jogadores, além de um melhor posicionamento em campo foram mudanças notáveis para um plantel tão limitado quanto o nosso. Todavia, esse importante conjunto de atitudes ainda não é suficiente para que o Grêmio demonstre regularidade.

Lembro que, durante a última e ainda recente passagem de Felipão pela casamata da Arena, havia um temor generalizado de que o nosso Tricolor dos Pampas viesse a disputar a fuga do rebaixamento.

As recomendações acerca de Roger no Juventude (dita por profissionais que trabalharam lá) não eram boas: diziam que ele gritava e que não sabia armar a defesa.

Até agora, a movimentação tornou-se mais dinâmica: o que não é possível corrigir é a falta de habilidade técnica e – eventualmente – uma falta de visão de jogo por parte de alguns jogadores.

Tínhamos uma defesa mais organizada, que saía pouco do lugar, cujos integrantes tendiam a aproximar-se mais. No entanto, com os mesmos jogadores, de 2014, agora sofremos mais gols. E esta não é uma primazia de Felipão nem uma perda de valorização do treinamento defensivo por parte de Roger, pois decaímos não de Felipão a Roger mas, sim, de 2014 para 2015.

Nesse ponto, a diferença mais marcante na escalação do time deve-se à mudança de volantes: antes, Felipão utilizava Fellipe Bastos e Ramiro. Ou, então, jogava com três volantes (Fellipe Bastos, Ramiro e Walace). As lesões e suspensões de um ou dois desses três jogadores foram decisivas para que o Tricolor tivesse degringolado de uma vaga quase certa na Libertadores para o limbo, em uma desanimadora queda mais emocional do que técnica ou tática.

Bastos já é passado. Ramiro ainda recupera-se de uma cirurgia no joelho. Ambos dedicados, porém, pequeninos. Além de defender, todo volante de boa qualidade precisa necessariamente saber passar e auxiliar no campo ofensivo. Ramiro chegou a marcar alguns gols chutando de fora da área. Todavia, como a bola passava demais pelos seus pés e ele não era nem driblador, nem veloz e tampouco lançador, consequentemente também errava passes demais.

Walace firmou-se. Mas, felizmente, cresceu com Roger, pois este permite que o volante mais jovem e mais alto saia jogando. Embora não seja craque, ele sabe o que fazer com a bola, pois tem visão de jogo e aproxima-se dos meias. Ao longo da gestão Scolari, estava restrito à proteção da zaga.

Por mais que Roger organize o meio-campo com Douglas pelo lado esquerdo e Giuliano pela direita, como Luan flutua bastante e não temos nenhuma velocidade nesses três meias (Douglas “pifa” muito bem; Luan “costura” muito bem e Giuliano é mais participativo), as triangulações ofensivas dependem de uma excelência nas laterais com a qual não podemos contar: Galhardo evoluiu bastante, mas, ainda assim, comete várias falhas e sofre com as bolas em suas costas.

Pela esquerda, Marcelo Hermes ainda é tímido no apoio e possui menos precisão e menos iniciativa do que o hoje indispensável Marcelo Oliveira, lesionado.

O ex-capitão Rhodolfo, agora negociado, era um esteio para Geromel ou Erazo. As opções para a reserva de ambos são muito jovens, sem contar que os próprios titulares não apresentam o mesmo grau de excelência nem de liderança que seu ex-colega apresentava.

A produtividade geral do time aumentou sensivelmente. Contudo, é arriscado demais termos que depender somente de uma bola definida quase sempre por Luan ou Pedro Rocha: caso um deles ou ambos esteja(m) marcado(s), os meias ficam sobrecarregados e o posicionamento de um acaba por anular a participação do outro, pois há aí uma sobreposição.

Já sabemos que não é possível contar com Braian Rodríguez, pois ele é um centroavante pouco efetivo que atua à moda antiga como um pivô de baixa competência.

Mamute, de um bom início de temporada, também está lesionado. Em comparação com Pedro Rocha, a titularidade deste último justifica-se pelo fato de ele voltar mais para marcar, fechando o espaço que Douglas deixa por não conseguir acompanhar os adversários. Como o lateral esquerdo (seja o Marcelo que for) é menos apoiador do que Galhardo pela direita, o retorno de Pedro Rocha pelo flanco até o campo de defesa tem sido tão relevante quanto a atuação do saudoso Barcos Pirata como zagueiro.

Nosso goleiro titular é de Seleção. Com esse, não precisamos nos preocupar. Grave fica quando temos que jogar com o reserva de goleiro, com um reserva de zagueiro ou com o reserva da lateral direita: essas são posições para as quais não temos peças de reposição à altura.

Por isso, iremos oscilar bastante ao longo do certame. Seja pela falta de eficiência nas conclusões, seja por falhas individuais defensivas (como nos gols extremamente infelizes e quase fortuitos que sofremos de Flamengo e Sport), Roger precisa encontrar uma solução para que não precisemos mais depender de uma única bola, pois essa não tem sido mais suficiente.

[BR15 4ª] GOIÁS 1×1 GRÊMIO

Gordurinha

O Grêmio quase não terá gordura pra queimar neste Brasileirão 2015

Brasileirão 2015: a cada rodada, uma partida a menos pra disputar. E, no caso do nosso Grêmio, hoje, em Goiânia, foram mais dois pontos perdidos.

Sim, vocês leram muito bem: DEIXAMOS DE VENCER O GOIÁS DENTRO DO SERRA DOURADA.

Embora cada jogo seja diferente, nossa segunda visita a um adversário de verde e tecnicamente muito fraco, feito para a briga contra o DEMÔNIO da Série B, não fez com que merecêssemos trazer os três pontos para a Arena.

Não vou me ater a questões táticas e acho injusto analisar individualmente cada jogador sem inseri-los no contexto em que se deu a marcação adversária ou como se posicionaram os seus companheiros: quero falar sobre MAIS UMA PERDA DE OPORTUNIDADES QUE NÃO TÊM MAIS VOLTA.

A habitual AMEAÇA do enfrentamento nos domínios do Verdão do Centro-Oeste (grama alta, calor, umidade, medidas exageradas do gramado e um CALDEIRÃO lotado) logo tornou-se uma IMENSA e RARA OPORTUNIDADE: o público de GAUCHÃO e a enorme proporção de gremistas para um jogo fora de casa deu a impressão de que o mandante era o TRICOLOR DOS PAMPAS.

Tal impressão foi reforçada pelo nosso início AVASSALADOR: desde o apito inicial e durante todo o 1º tempo, o Grêmio teve várias chances de gol, deteve uma larga vantagem na posse de bola e manteve-se no campo de ataque. Foi algo tão inesperado que o oponente nem parecia o PERIQUITO DO CERRADO.

A despeito da boa campanha, o Goiás é um time inexperiente, jovem e barato, que tende a oscilar bastante dentro da mesma partida. Ciente disso, consegui perceber o DEDO DO TREINEIRO ao perceber que Giuliano ditava o ritmo, depois de vários jogos apagado; que Walace avançava e arriscava até chutar; que Mamute manteve-se atento e participativo não mais apenas quando entrava no 2º tempo, mas, sim, do começo até a sua substituição no final do cotejo.

Saímos na frente e poderíamos ter ampliado ainda na primeira metade.

Contudo, não podemos esquecer: só faltou combinar com os goianos que tudo seria igual também no 2º tempo. Assim que o gaúcho Anderson Daronco trilou o seu apito para o reinício do embate, os ESMERALDINOS impuseram uma verdadeira BLITZKRIEG pra cima do nosso Tricolor.

Infelizmente, Não demorou muito para sofrermos o gol de empate: ao contrário do que muitos gremistas queriam crer (isto é, em um erro da arbitragem), houve, sim, falha do nosso PAREDÃO de Seleção Marcelo Grohe, com auxílio de um TITUBEIO de Geromel.

Apesar disso, vi como positivo (e aí entra novamente o dedo de Roger) o fato de que conseguimos suportar bem a pressão, a ponto de voltarmos a DESBRAVAR o terreno inimigo quase com a mesma desenvoltura da primeira etapa, com algumas chances de virar o jogo.

Nosso maior PECADO não foi o da falha do gol de empate dos esmeraldinos: foi o desperdício das claríssimas chances de gol encontradas por Yuri Mamute e Everton.

Hoje, tivemos mais posse de bola do que o normal em 2015. Atacamos e chutamos mais, sem enrolação. Tocamos a bola mais na vertical do que para os lados e para trás. Portanto, houve um progresso significativo em relação ao posicionamento e à ATITUDE que nosso plantel adotava com o lendário treinador.

Quem acompanhou as estatísticas de Roger no Juventude e no Novo Hamburgo preocupa-se bastante com a alta média de gols sofridos pelos seus times anteriores. Como o Grêmio não possui um plantel maravilhoso, penso que isso não irá mudar muito. Todavia, o que pende a nosso favor agora é uma capacidade maior de atacar – mesmo que tenhamos uma carência técnica ABSURDA para o nosso tamanho imaginado.

Apesar dessa boa notícia, uma advertência: vacilamos três vezes (quase quatro) contra oponentes que – nem de longe – disputarão o título, sequer uma vaga à Libertadores. Embora VIVAMOS DE LOUCURA, não temos grandes ambições. E um time que obteve apenas cinco pontos em doze disputados com apenas 66,6% de aproveitamento em casa e 16,6% fora definitivamente não tem mais nenhuma gordura pra queimar.

Embora não tenha bola de cristal, acredito que disputaríamos a permanência na Série A com contornos DRAMÁTICOS caso tivéssemos mantido o DEFASADO Luiz Felipe Scolari, de um pretérito mais que perfeito do qual serei eternamente grato, mas de um presente imperfeito do qual quero esquecer.

Quarta tem Corinthians na Arena. Para a nossa sorte, apesar de ser treinado por uma VELHA RAPOSA DA SERRA que nos conhece muito bem, passa por uma péssima fase.

E precisamos DEMAIS de uma vitória CONVINCENTE, contra um adversário de tradição, dinheiro e oriundo de uma região hegemônica do país.

Desde já, na agradável noite da próxima quarta de uma semana ensolarada e sem temperaturas extremas, conclamo: LUGAR DE GREMISTA É NA ARENA.

Nos vemos na cadeira alta noroeste, com OS DE SEMPRE. Até lá! \o/

[B14 34ª] CRICIÚMA 0x3 GRÊMIO

Mesmo a prazo, em duas prestações, Felipão conseguiu devolver os 7×1.

Não para a Alemanha. Não por uma seleção qualquer mas, sim, pelo clube da sua vida: depois de uma insofismável TUNDA DE LAÇO no #Grenal403 .

Aí, vocês perguntam: “Mas como ‘devolveu’?! Vamos por partes:

– O Grêmio SAPECOU 4×1 no Tradicional Adversário após NOVE clássicos sem vitória em mais de QUATORZE MESES. Ainda neste século, já sofremos quatro gols deles em duas oportunidades.

No último clássico pelo Gauchão também disputado na nossa Arena, na saída, vi muitos gremistas exclamarem “NÃO AGUENTO MAIS PERDER PRA ELES!!!”.

Foi uma REDENÇÃO para um time que vinha desacreditado, pois cansou de vencer por uma única bola, com atuações bisonhas dos meias e dos atacantes, apesar de termos uma defesa hoje com o recorde de VINTE clean sheets (fichas limpa, ou jogos sem sofrer gols) em 34 rodadas.

– Na segunda parte dessa semana feliz, apenas seis dias depois do histórico clássico supra citado, na sempre perigosa MASMORRA do Heriberto Hülse (não por acaso apelidado de “Mini Bombonera”), 23 anos após a final da Copa do Brasil na qual o mesmo TIGRE, treinado pelo NOSSO Felipão, nos derrotara com o regulamento debaixo do braço, conseguimos EXORCIZAR mais um adversário ENCARDIDO, que sempre nos enfrentou com extrema TENSÃO, independentemente da qualidade ou da confiança desse time da região carbonífera sul-catarinense.

Os contestadíssimos Pará, Ramiro, Dudu e Luan jogaram bem ambas as partidas. Também pudemos repetir a mesma escalação por duas rodadas consecutivas e – se tudo der certo até a próxima quinta-feira – também poderemos repeti-la em mais um duelo pesado, em mais um jogo-CHAVE para o nosso SONHO do TRI DA AMÉRICA.

Apesar da DEBILIDADE TÉCNICA e da FRAGILIDADE EMOCIONAL dos jogadores do Tigre em função de ocuparem a LANTERNA do Brasileirão 2014 como HABITUÉS do Z4 há uma considerável quantidade de rodadas, a confiança, a segurança e a mesma INICIATIVA do Grenal foram vistas ontem em Criciúma: tivemos novamente um Zé Roberto seguro na marcação, conhecedor dos ATALHOS que o seu corpo de 40 primaveras exige para poder manter-se saudável e participativo; voltamos a ter o nosso PIRATA como goleador, desta vez aparando de cabeça um ESCANTEIO (sim, senhorxs: conseguimos marcar um golo de corner após tanto tempo!) cobrado pelo próprio Z10; RAMIRO (quem diria: o jogador que mais erra passes em todo o plantel tricolor) voltou a marcar novamente, surgindo feito um RAIO como “efeito surpresa”, ocupando a posição de centroavante, invadindo a área  e tocando na saída do goleiro. E, pra completar, o LILLIPUTIANO Dudu abriu o placar após roubar a bola de um desatento zagueiro que, para a nossa felicidade, CHUPOU BALA na hora de dominar a bola e o nosso AZOUGUE vindo da Ucrânia ultrapassou-o em velocidade para tirar do goleiro com muita categoria.

Esses seis gols de saldo obtidos em duas partidas superaram imensamente a quantidade de partidas que o nosso TRICOLOR DOS PAMPAS levara para abrir a mesma meia dúzia de gols entre vários 0x0, uma derrota ou outra e um montão de partidas nas quais vencemos por uma única bola.

Felipão recuperou Z10 para a sua posição original, encontrou uma dupla de zaga sólida, conseguiu convencer Pará, Ramiro e Barcos a fazer o SIMPLES (pois só assim conseguem ENGANAR as suas próprias limitações em uma comovente demonstração de HUMILDADE E INTELIGÊNCIA) e revelou o centromédio WALACE, um menino com sapiência de veterano, que arrumou todo o posicionamento e a cobertura tanto do meio para a frente quanto do meio para trás, servindo tanto como uma obsessiva cobertura quanto um competente homem de transição, que marca com virilidade sem sofrer cartões e sem nenhum sobressalto emocional, iniciando os contra-ataques mediante um ótimo passe.

Passamos muito tempo reclamando da baixa qualidade técnica e do baixo envolvimento emocional do time para com a torcida. E com razão. Contudo, apesar de ainda não termos ganhado absolutamente NADA, em outras temporadas nas quais a disputa pelas vagas à Libertadores ou pelo título eram acirradas, infelizmente, éramos os primeiros a abdicarmos do prêmio máximo em função de uma sequência quase inexplicável de erros absurdos já na bacia das almas de cada torneio.

Desta vez, estamos aí, segurando o rojão: Fluminense, Atlético-MG, Internacional e Corinthians costumam marcar um ou três pontos na maioria das rodadas. Em outros tempos, o primeiro a se desgarrar era o Grêmio. Desta vez, ainda que faltem quatro longas e inquietantes rodadas, PARECE que vimos num crescente.

Pois que tudo continue assim. Mas, caso algo errado ocorra, vale lembrarmos-nos de que 2015 nos dá uma ESPERANÇA que há muito tempo não tínhamos diante de nosso olhos e corações. ;)

#GRE4x1NAL : A ARBITRAGEM QUASE AVACALHOU O JOGO

Mais claro impossível: Alan Ruiz provocou muitíssimo de leve os colorados ao dirigir-se para o banco de reservas colorado na comemoração do #QUATRILHOTRICOLOR. Porém, seu pai e sua namorada estavam na arquibancada inferior oeste, exatamente atrás da casamata cedida ao visitante.

No mais, um árbitro minimamente responsável pela sua atividade e pelo bom andamento da partida teria expulsado Willians (que bateu até na sombra de sua mãe com várias reincidências) e o próprio D’Alessandro que, ao perceber que a vaca já havia ido para o brejo, deu um VASSOURÃO sem bola em Fellipe Bastos.

Catimba por catimba, os argentinos empatam. Contudo, D’Alessandro é covarde e ardiloso, pois procura sempre tirar o seu da reta com muitas desfaçatez, procurando sempre arrastar algum(ns) adversário(s) consigo, ludibriando a arbitragem.

Sempre que os jogadores adversários utilizam-se de sangue frio e inteligência suficientes para deixá-lo falando sozinho, ele apela para a violência. A pior coisa para um desequilibrado compulsivo é que o alvo da sua tentativa de picaretagem o olhe com serenidade, com indiferença e lhe dê uma lição de moral em poucas palavras, sem ofensas, sem olhar raivoso: foi assim contra o zagueiro corintiano (ex-Grêmio FBPA) William, após a final da Copa do Brasil de 2009, quando o pequeno argentino interpretou o patético papel de um pugilista e, à distância, o zagueirão alvinegro apenas sorria.

Ontem, ele repetiu a atitude infantil diante de Hernán Barcos, no primeiro “bolo”: ele fez menção de agredir o Pirata, que apenas esticou o seu braço para manter o capitão vermelho a uma distância confortável.

Tudo isso ocorreu porque Flávio de Oliveira e seu bandeira foram extremamente fracos: se D’Alessandro tivesse sido expulso logo após o “vassourão” em Fellipe Bastos, nada disso teria acontecido. Os ânimos acirraram-se e o campo de distorção da realidade colorada aumentou a reação e o interesse real do algoz Alan Ruiz quando o bandeira, que havia sugerido a Fellipe Bastos que denunciaria D’Alessandro a Flávio de Oliveira assim que a bola parasse, se fez de louco bem na hora em que foi assinalada a falta que Zé Roberto cobrou magistralmente para o 4º gol tricolor.

Fraco. Incompetente. Ao menos, honesto: o árbitro sequer considerou que Alan Ruiz tenha provocado o banco colorado.

É… Há muito o que consertar do outro lado.

Mas o ditado diz: “cada um com seus brinquedos”… #LOL

[B14 33ª] GRÊMIO 4×1 INTERNACIONAL

http://espn.uol.com.br/video/457296_brasileiro-gols-de-gremio-4-x-1-internacional

Terminei o post anterior dizendo que apostava em 3×1 para o Grêmio. Pois é nessas horas que digo como adoro quando a realidade prova que eu entendo menos de futebol do que acho que entendo: não fizemos “apenas” três mas, sim, retumbantes QUATRO a um. 1, 2, 3, 4. \o/

Eis que o clichê “nem mesmo o torcedor mais otimista ou o mais fanático imaginariam uma goleada” entra em ação. Mas não vou fazer uma análise tática, pois este post trata da intuição e de uma observação nada metódicas.

Após uma semana de convalescença de uma infecção por rotavírus, de uma aula sensacional sobre mídias digitais para a extensão em Gestão Esportiva em parceria da Unisinos com o Grêmio no auditório da Arena e da visita a um amigo muito querido que perdeu tragicamente sua esposa e que mora no Humaitá, eu simplesmente não tinha como imaginar que algo ruim pudesse acontecer.

Normalmente, assisto a vários jogos das ligas europeias na TV durante o sábado e a manhã de domingo, além de acompanhar as resenhas e os comentários dos jogos do Brasileirão. Essa overdose tem um cunho profissional, além de envolver muita paixão e de ser acompanhada pela Lúcia, que adora futebol e acompanha pau a pau comigo. Também tem a Mãe, que não assiste muito, mas dá força e gosta de me ouvir falar sobre o esporte bretão.

Não raro, após observar fascinado a performance de times “fracos” como os do Bayern München, Real Madrid, Barcelona, Chelsea, Porto, PSG, Juventus e até mesmo os disputados jogos entre os principais clubes da Rússia, da Ucrânia e da Holanda, costumo chegar à Arena meio decepcionado: como eu sei que o Grêmio dificilmente acertará os contra-ataques em velocidade, os cruzamentos, os escanteios ou fará apenas um gol, mesmo sem jamais deixar de crer no Tricolor, costumo me conformar com as nossas limitações.

Desta vez, foi diferente: apesar do Bayern ter goleado o Eintracht Frankfurt; do clássico moscovita entre Dínamo x CSKA ter sido muito disputado e de eu não ter sabido de antemão que a Juventus esmagaria o pobre Parma, não cheguei à Arena com aquele jeitão de “vamos ver no que dá… Tomara que eu seja surpreendido”.

Poucas vezes parei pra analisar a escalação deles. Mas, desta vez, me liguei para o fato de que eles usariam o goleiro, os laterais e um dos zagueiros reservas. Também nutri uma profunda tranquilidade quanto à nossa defesa e – sem sequer imaginar qual seria a solução – também achava que o nosso ataque receberia as bolas necessárias.

Tudo isso em pleno aniversário do Felipão.

Enfim… Havia uma série de associações sem pé nem cabeça, mas que me engrossaram bastante.

Ao chegarmos à Arena, comecei a fotografar a subida da multidão pela rampa sul. Na entrada do portão C, pus as mãos nos bolsos e não senti a minha carteirinha de sócio. Avisei a Lu e o Léo que iria correndo até o Quadro Social para fazer outra.

Quando a moça do guichê me chamou, eu ainda estava esbaforido, mas confiante de que eles imprimiriam uma nova ali, na hora. Quando ela me pediu a identidade, “PLOP!”: caiu a minha carteirinha, que havia ficado solta dentro da carteira, fora do compartimento correto. Nos olhamos, sorrimos e eu voltei correndo para o portão X, que era mais perto do P, onde se encontra o QS.

Entrei e subi para o ponto tradicional do setor 401, onde ficamos algumas fileiras acima dos amigos dos Sócios Livres (Junka, Fabiano, David…). Por solidariedade, o Léo disse que não entraria enquanto eu não entrasse, mas eu só fiquei sabendo disso pela Lu lá em cima, quando eles chegaram depois de mim. Querido!!! <3

Há anos, inventei duas superstições negativas. Porém, desta vez, estava seguro de que nenhuma delas se concretizaria: uma delas diz que o Grêmio costuma sofrer gol de jogadores com nomes pra lá de esquisitos. O Tradicional Adversário promoveu a entrada de Taiberson, mas eu sequer me preocupei. A outra diz que (ou, melhor, eu digo que) o Tricolor dificilmente ganha quando há pessoas “estranhas” no setor que ocupamos. Essas coincidências até aconteciam no Olímpico. Claro, quando estávamos dispostos a prestar atenção a elas. Na verdade, para fins estatísticos, provavelmente sejam irrelevantes.

Assistimos o jogo ladeados por duas figuras pitorescas: à minha esquerda, um jovem de vinte e poucos anos parecidíssimo com o meu amigo Boi. Poderia até ser filho dele. O guri me deu um abraço de urso na comemoração do 1º gol e papeou um pouco comigo e com o Léo. Já à direita, tinha um moço magro e moreno, com mais de trinta, com uma senhora nareba. Ele estava muito descontrolado com os erros do time. Mas, assim que saiu o gol, chorou feito criança. Me parecia que este fosse seu primeiro jogo na Arena. No 2º tempo, ele foi para outro lugar e não o vimos mais.

Desde a primeira arrancada de Dudu na saída de bola obrigando Alisson a fazer uma defesa difícil a menos de dez segundos de jogo, senti que esse lance não seria “fogo de palha”, nem que correríamos o sério risco de termos – mais uma vez – a concretização do provérbio “quem não faz, leva”. Sei lá… Essas coisas não me abalaram nem um pouco hoje.

O único lance preocupante foi o da bicicleta de Nilmar. Do lado do Grêmio, a sucessão de passes errados de Ramiro, além da costumeira lentidão de raciocínio de Luan, incomodavam. No entanto, Rhodolfo e Geromel estavam seguríssimos. Walace foi um gigante, com uma atuação digna de um volante do Real Madrid com mais de 100 jogos e duas Copas do Mundo pela Seleção. Dudu, apesar de chutar pouco e mal, incomodou demais a zaga colorada com uma série de “costuradas” em alta velocidade. Barcos, mesmo fora da área, foi implacável na marcação, no pivô e na “parede”, garantindo bastante tempo de posse de bola no campo de ataque. Pará foi mais uma vez outro destaque positivo.

Por outro lado, Fillipe Bastos e Zé Roberto estavam errando bastante: a bola parecia que lhes queimava os pés.

Contudo, Aránguiz, D’Alessandro, Alex, Alan Patrick… Nenhum deles jogou absolutamente nada durante todo o 1º tempo. Em outras situações, eu até poderia ficar surpreso com a nossa eficiência. Não desta vez… ;)

O Grêmio “mordeu”. O Grêmio pressionou. O Grêmio se adiantou, mas o sistema de cobertura estava bárbaro. Até agora, estou abismado com a intensidade de Walace na marcação e com o baixo índice de passes errados desse guri que é uma verdadeira fortaleza. Ele cresce a passos largos!

Aos 27′, o primeiro gol, que eu sentia que não seria o único: Dudu arrancou pela direita, envolveu o pobre lateralzinho colorado e serviu Luan, que vinha mal até então. Bastou ao meia empurrar a bola para as redes e ver a Arena delirar!

Interessante foi ver que, caso Luan errasse em bola, Barcos estava ali para conferir. E algo muito parecido aconteceu no 3º gol, aos 30′ do 2º tempo, onde havia outro para conferir caso Alan Ruiz não tivesse convertido, após uma cobrança de falta com o pé esquerdo do bico direito da grande área por Zé Roberto, que Rhodolfo penteou o suficiente para imobilizar o amedrontado goleiro colorado e sobrar para o argentino.

O segundo gol, no comecinho do 2º tempo, foi um contra-ataque de concurso: Dudu arrancou em velocidade e serviu Ramiro, que, a exemplo de Luan, também redimiu-se de uma série de passes errados durante a primeira etapa tirando do goleiro livre, na entrada da área.

Felipão substituiu os autores dos dois primeiros gols: primeiro, Ramiro saiu para a entrada de Giuliano. Em seguida, Luan deu lugar a Alan Ruiz. Isso compensou a entrada de Rafael Moura, que acertou um tiro de longa distância quase improvável para um centroavante de área e descontou. Isso deu um gás aos colorados e nos preocupou. O timing das substituições foi absolutamente ideal, pois Giuliano entrou, quase marcou, quase deu uma assistência, infernizou os volantes colorados e mostrou que é superprofissional e que está realmente envolvido com o Grêmio ao levantar a torcida e ao vibrar MUITO com os gols. Nem parece aquele jovem que fora decisivo na segunda Libertadores deles. Isso me emocionou tanto que eu chorei um pouquinho.

A pá de cal foi aos 36′ do 2º tempo, com o mesmo Alan Ruiz, que havia entrado em lugar de Luan: ele conferiu para o fundo das redes um “come” antológico de Dudu em Aránguiz, que tocou para trás para o argentino concluir com simplicidade e categoria no mesmo lance.

Voltar pra casa gritando “um, dois, três, quatro!” é uma delícia!

Na volta, paramos no Iguatemi. A ideia inicial era comermos um panini na Petiskeira, mas o Léo chegou a mencionar no caminho uma vontade de ir ao Riverside’s Grill. Eu estava seco por um sushi, mas não mencionei isso na hora. Acabamos na Fratello Sole, que, pra mim, é a melhor pizzaria do sul do país.

Depois, voltamos pra casa e vimos algo maravilhoso que a Mãe não fazia há muito tempo – acender a luz do quarto em que ela assiste TV com a persiana aberta, para todo mundo ver a bandeira tricolor iluminada! \o/

Sábado que vem, no pavoroso Heriberto Hülse, temos o desesperado Criciúma. Não podemos nos dar o luxo de vacilar.

Tomara que a goleada no clássico #403 tenha servido pra preparar um 2015 repleto de frutos graúdos! ;)