UM GRANDE TIME COMEÇA PELOS VOLANTES

Com todo o respeito, mas… Gente, na boa: não se trata de uma questão de gosto. Inclusive nada contra o profissionalismo, a inteligência, a sensibilidade nem a camaradagem do jogador… Mas…

Assim… Fellipe Bastos é extremamente deficiente tecnicamente falando. Inclusive fisicamente só faz sentido ter um jogador tão pequenino caso ele seja muito forte e muito veloz, com mais técnica e com um espírito de liderança ainda não demonstrado.

Ramiro é mais ou menos o mesmo estilo de jogador. Porém, com um passe um pouco menos pior e com uma capacidade de arremate melhor, além de parecer mais inteligente.

Eu não considero que nenhum dos dois seria titular nem em um Grêmio melhor, antigo, multicampeão, nem agora. Mas para a reserva, tanto no passado como no presente, eu consideraria útil Ramiro.

Não gosto de crucificar nem de ser taxativo. Porém, acho que tivemos amostras suficientes de que, no atual contexto, o Grêmio FBPA precisa de mais.

Também acho que Walace deveria avançar mais quando necessário e que é mais um volante que erra muitos passes, embora seja fisicamente privilegiado.

Araújo, esse menino ainda tão novo e aplicado, infelizmente, parece não posicionar-se corretamente, além de não ser veloz, de não ter um bom arremate, de não ser um exímio passador nem um grande líder.

Paulo Vinicius Coelho, o PVC, um dos melhores comentaristas de futebol da história do nosso país (porque não lida com o esporte via papo de boteco – ele apura, entrevista, estuda, analisa a História, estabelece conexões entre fatos e pessoas, além de fazer uma profunda observação de esquemas táticos, jogadores e times de todo o mundo), diz há muito tempo que a principal posição do futebol mundial neste século é a de volante.

Por que? Porque o volante é quem começa os ataques e quem dá o combate que pode aliviar e cobrir antecipadamente a defesa. Porém, ele precisa ser completo e versátil: veloz, de excelente passe, com visão de jogo e capacidade de triangular e de aproximar-se da área, também concluindo. “Box to box”, isto é, atua de área a área.

O volante ou centromédio antiquado, superado, datado, é aquele de mera marcação e – quando muito – um reboteiro nos escanteios ou um lançador em profundidade.

Pois esse tipo de jogador contemporâneo e pós-moderno (porque a Modernidade histórica foi o período pós-Revolução Industrial até a Globalização Digital) infelizmente não compõe o plantel do nosso Tricolor dos Pampas.

Este é um ponto-chave na formação de um plantel: o volante faz parte da espinha dorsal. Mais do que isso, ele é a bacia ou, seja, se ele estiver quebrado, nem as pernas e tampouco o tronco se movem.

Não quero ser cruel nem injusto: sou apenas exigente e observador. O futebol brasileiro está ruim e o Grêmio tem uma dificuldade imensa para entregar um modelo, um esquema, uma cultura justamente porque não começa pelo principal alicerce do futebol atual – o volante.

O Grêmio já produziu Lucas Leiva e já empregou Rafael Carioca. Precisamos procurar jogadores que – com menos de 20 anos – sejam capazes de começar a jogar com o tipo de posicionamento, movimentação e atitude desses dois ex-tricolores. Isso pra começar. O paradigma não é China, Dinho nem Goiano

Vejam bem: refiro-me aqui tão-somente ao objetivo-fim do clube, que é o futebol. Sequer menciono questões políticas, gestão de pessoas ou das finanças e n outras falhas ou mazelas.

A cultura da garra é insuficiente e absolutamente atrasada: afinal de contas, um profissional necessariamente deve ter garra. Deve ser insistente. Deve observar o adversário. Deve aperfeiçoar a sua técnica. Deve conversar muito sobre futebol. Deve assistir muito futebol. Esse deve ser o seu assunto predileto.

Garra é fundamental, mas é um acessório, um recurso, uma ferramenta. Jamais pode ser uma característica ou uma virtude única ou preponderante: garra é commodity.

A excelência técnica, a inteligência emocional e a alta capacidade física sempre irão compor o padrão da avaliação de um jogador. A garra, por sua vez, é o elo de ligação entre essas três valências: sem ela, não há como unir técnica, inteligência e vigor.

Todavia, a garra sem técnica, inteligência ou preparo físico apurados não produz resultados: a garra é um algo a mais que pode decidir no detalhe, nada mais do que isso.

Portanto, dirigentes, torcedores e a própria imprensa precisam respeitar, aceitar e torcer muito para que seja possível formar e adquirir volantes “box to box”, que são mais armadores do que destruidores, mas que são líderes capazes de unir a defesa ao ataque.

No dia em que tivermos esse pensamento, tenho certeza de que o Grêmio poderá decolar novamente – e sem todo o dinheiro do mundo.

[BR15 4ª] GOIÁS 1×1 GRÊMIO

Gordurinha

O Grêmio quase não terá gordura pra queimar neste Brasileirão 2015

Brasileirão 2015: a cada rodada, uma partida a menos pra disputar. E, no caso do nosso Grêmio, hoje, em Goiânia, foram mais dois pontos perdidos.

Sim, vocês leram muito bem: DEIXAMOS DE VENCER O GOIÁS DENTRO DO SERRA DOURADA.

Embora cada jogo seja diferente, nossa segunda visita a um adversário de verde e tecnicamente muito fraco, feito para a briga contra o DEMÔNIO da Série B, não fez com que merecêssemos trazer os três pontos para a Arena.

Não vou me ater a questões táticas e acho injusto analisar individualmente cada jogador sem inseri-los no contexto em que se deu a marcação adversária ou como se posicionaram os seus companheiros: quero falar sobre MAIS UMA PERDA DE OPORTUNIDADES QUE NÃO TÊM MAIS VOLTA.

A habitual AMEAÇA do enfrentamento nos domínios do Verdão do Centro-Oeste (grama alta, calor, umidade, medidas exageradas do gramado e um CALDEIRÃO lotado) logo tornou-se uma IMENSA e RARA OPORTUNIDADE: o público de GAUCHÃO e a enorme proporção de gremistas para um jogo fora de casa deu a impressão de que o mandante era o TRICOLOR DOS PAMPAS.

Tal impressão foi reforçada pelo nosso início AVASSALADOR: desde o apito inicial e durante todo o 1º tempo, o Grêmio teve várias chances de gol, deteve uma larga vantagem na posse de bola e manteve-se no campo de ataque. Foi algo tão inesperado que o oponente nem parecia o PERIQUITO DO CERRADO.

A despeito da boa campanha, o Goiás é um time inexperiente, jovem e barato, que tende a oscilar bastante dentro da mesma partida. Ciente disso, consegui perceber o DEDO DO TREINEIRO ao perceber que Giuliano ditava o ritmo, depois de vários jogos apagado; que Walace avançava e arriscava até chutar; que Mamute manteve-se atento e participativo não mais apenas quando entrava no 2º tempo, mas, sim, do começo até a sua substituição no final do cotejo.

Saímos na frente e poderíamos ter ampliado ainda na primeira metade.

Contudo, não podemos esquecer: só faltou combinar com os goianos que tudo seria igual também no 2º tempo. Assim que o gaúcho Anderson Daronco trilou o seu apito para o reinício do embate, os ESMERALDINOS impuseram uma verdadeira BLITZKRIEG pra cima do nosso Tricolor.

Infelizmente, Não demorou muito para sofrermos o gol de empate: ao contrário do que muitos gremistas queriam crer (isto é, em um erro da arbitragem), houve, sim, falha do nosso PAREDÃO de Seleção Marcelo Grohe, com auxílio de um TITUBEIO de Geromel.

Apesar disso, vi como positivo (e aí entra novamente o dedo de Roger) o fato de que conseguimos suportar bem a pressão, a ponto de voltarmos a DESBRAVAR o terreno inimigo quase com a mesma desenvoltura da primeira etapa, com algumas chances de virar o jogo.

Nosso maior PECADO não foi o da falha do gol de empate dos esmeraldinos: foi o desperdício das claríssimas chances de gol encontradas por Yuri Mamute e Everton.

Hoje, tivemos mais posse de bola do que o normal em 2015. Atacamos e chutamos mais, sem enrolação. Tocamos a bola mais na vertical do que para os lados e para trás. Portanto, houve um progresso significativo em relação ao posicionamento e à ATITUDE que nosso plantel adotava com o lendário treinador.

Quem acompanhou as estatísticas de Roger no Juventude e no Novo Hamburgo preocupa-se bastante com a alta média de gols sofridos pelos seus times anteriores. Como o Grêmio não possui um plantel maravilhoso, penso que isso não irá mudar muito. Todavia, o que pende a nosso favor agora é uma capacidade maior de atacar – mesmo que tenhamos uma carência técnica ABSURDA para o nosso tamanho imaginado.

Apesar dessa boa notícia, uma advertência: vacilamos três vezes (quase quatro) contra oponentes que – nem de longe – disputarão o título, sequer uma vaga à Libertadores. Embora VIVAMOS DE LOUCURA, não temos grandes ambições. E um time que obteve apenas cinco pontos em doze disputados com apenas 66,6% de aproveitamento em casa e 16,6% fora definitivamente não tem mais nenhuma gordura pra queimar.

Embora não tenha bola de cristal, acredito que disputaríamos a permanência na Série A com contornos DRAMÁTICOS caso tivéssemos mantido o DEFASADO Luiz Felipe Scolari, de um pretérito mais que perfeito do qual serei eternamente grato, mas de um presente imperfeito do qual quero esquecer.

Quarta tem Corinthians na Arena. Para a nossa sorte, apesar de ser treinado por uma VELHA RAPOSA DA SERRA que nos conhece muito bem, passa por uma péssima fase.

E precisamos DEMAIS de uma vitória CONVINCENTE, contra um adversário de tradição, dinheiro e oriundo de uma região hegemônica do país.

Desde já, na agradável noite da próxima quarta de uma semana ensolarada e sem temperaturas extremas, conclamo: LUGAR DE GREMISTA É NA ARENA.

Nos vemos na cadeira alta noroeste, com OS DE SEMPRE. Até lá! \o/

ANIVERSARIANTES GREMISTAS HOMENAGEADOS NA ARENA

Finalmente pude ser homenageado pelo nosso amado Grêmio no dia do meu aniversário. Depois da frustração de 2010, quando o dia 23/05 caiu num domingo, a tabela do Brasileirão marcava um jogo para o saudosíssimo Estádio Olímpico Monumental naquela data mas, infelizmente, alteraram-no para o sábado dia 22, cinco anos depois, tive a imensa alegria e sorte de ver o dia mais importante do meu ano coincidir com um jogo em casa. :)

A iniciativa do marketing tricolor é muito simpática: toda vez que uma partida em casa ocorrer no dia do aniversário de um associado em dia com suas mensalidades, este é comunicado e tem até 12h antes do jogo para informar os dados de identificação seus e de um(a) acompanhante.

Os aniversariantes são reunidos no estacionamento E2, até o momento de desfilarem por toda a faixa oeste do lado externo do gramado, passando por todas as casamatas e pelo túnel de saída/entrada dos vestiários. Enquanto isso, seus acompanhantes são encaminhados para um reservado especial nas cadeiras gramado corner sudoeste, bem no bico da respectiva marca de escanteio.

Os homenageados tem então seus nomes citados pelo locutor do serviço de alto-falantes da Arena Porto-Alegrense, congratulam-se uns aos outros e tiram fotos no fundo do gramado, próximos às cadeiras de onde já podem avistar e ser avistados por seus acompanhantes. Então, após uma foto coletiva, sobem às cadeiras por um portão instalado na mureta da arquibancada.

É uma homenagem bastante singela, mas supersignificativa: afinal de contas, além da raridade da ocorrência (que demora vários anos a repetir-se), se o estádio estiver cheio, os aniversariantes poderão receber muitos aplausos.

Como a Arena, além de ser um monumento, é muito alta, experimentamos a rara oportunidade de vislumbrar o ponto de vista dos jogadores: cercados por todos os lados por uma cobertura elevada a 58m acima do nível do gramado e podendo contar com as vozes de até 60.800 pessoas dispostas a uma altura de até 38m (nível da fileira mais alta de cadeiras do quarto anel), a Arena do Grêmio é um monumento gigantesco, capaz de RUGIR em alto e bom tom.

Ontem, enfrentamos uma noite chuvosa, em um horário pouco habitual, que concorre com restaurantes, motéis, hotéis, praia, serra, churrascos domésticos, casamentos, teatro, cinema, shopping e muitas outras opções de lazer. Como a fase do time não tem ajudado, contamos com menos de 10 mil espectadores.

De qualquer forma, valeu demais: agradeço MUITO ao clube pela oportunidade e espero que isso possa se repetir em um período de vacas gordas, quiçá em 2017, 2018 ou 2019 (quando o dia 23/05 cairá, respectivamente, numa terça, numa quarta e numa quinta) – talvez em uma eliminatória “pegada” da Copa do Brasil ou, melhor ainda, nas quartas-de-final de uma Libertadores! :)

O melhor de tudo foi ter terminado a noite com uma vitória – por mais sofrida que tenha sido, contra um adversário de rivalidade irrelevante e de baixa tradição tanto na Série A quanto no sul. Saímos molhados, mas aliviados! :)

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MARKETING DO GRÊMIO E EXÉRCITO GREMISTA: VAMOS AJUDAR?

Lembram-se do Exército Gremista? É aquele cadastro para sócios e não-sócios criado na gestão Duda Kroeff (quando o hoje diretor de futebol César Pacheco era o diretor de marketing), com o objetivo de obedecer um artigo do Estatuto do Torcedor que solicitava a identificação dos frequentadores dos estádios sob responsabilidade dos clubes como uma medida de segurança.

Pois o Tricolor dos Pampas foi o clube mais bem-sucedido do país naquela época (2009-2010): nos últimos tempos do saudoso Estádio Olímpico Monumental, o Exército Gremista forneceu uma base de dados riquíssima, que funcionou como uma espécie de censo, cuja amostragem em relação ao universo estimado de gremistas (cerca de 6,8 milhões segundo a pesquisa de , muito embora muitos insistam em citar o número 8 milhões, que ainda não apresenta nenhum embasamento científico) foi bastante significativa.

Hoje (22/05/2015), entrei no site do Exército Gremista e cliquei na seta junto à quantidade atual de cadastrados (mais exatamente 584.511 gremistas, até às 13:10h). Ela abre uma página com as seguintes estatísticas resumidas e demonstradas em gráficos quantitativos:

Exército Gremista ou CTG (Cadastro de Torcedor Gremista)

Quantidade de cadastrados por cidade e por região

O título deste post não é uma crítica e tampouco devemos cobrar do excelente executivo Beto Carvalho e equipe a divulgação de dados e de estratégias sigilosas. Afinal de contas, o segredo é a alma do negócio. Contudo, se cada gremista tiver o mínimo de curiosidade para digitar o nome de uma cidade qualquer e receber um gráfico atualizado sobre seus dados, certamente surgirão muitas ideias.

Se cada gremista que conhece a sua região (cultura, comércio, opções de lazer, onde os gremistas da cidade se reúnem para assistir aos jogos, como eles montam caravanas, quantos são sócios, por que outros ainda não se associaram, etc.), certamente poderão ajudar MUITO o clube, fornecendo a sua visão aos respectivos consulados.

O cônsul precisa então repassar ao Departamento Consular essas opiniões, a fim de que sejam mapeadas semelhanças e diferenças por região e, assim, o marketing possa agir.

Ainda que tenhamos ferramentas digitais que mineram dados instantaneamente e permitem vários cruzamentos, a impressão subjetiva fornece dados qualitativos que a quantificação matemática não consegue oferecer.

REPENSANDO O GRÊMIO

Costumo ser bastante crítico e – até certo ponto – pessimista. Como torcedor, obviamente, não tenho como conhecer o plantel nem todas as opções testadas pelo técnico por, simplesmente, não ser profissional e não frequentar os treinos. Mas isso não impede nenhum dos 6,8 milhões de Felipões de opinar. ;)

Não tenho por que tecer críticas pessoais e desconheço o íntimo das pessoas e do ambiente de trabalho. Apenas falo por mim em função daquilo que observo assistindo a tantos campeonatos e acompanhando tantas notícias sobre futebol.

Começo por Felipão, nosso treinador tão carismático quanto vitorioso, altamente identificado com o torcedor gremista, contra quem quase ninguém irá criticar.

Embora a esmagadora maioria dos tricolores discorde de mim, aconteça o que acontecer, por mais que apoie e sempre torça para que tudo dê certo, não queria Felipão de volta.

Salvo raras e honrosas exceções, qualquer técnico, jogador ou dirigente multicampeão que um dia retorne ao clube pelo qual obteve algumas das conquistas mais importantes de sua respectiva carreira muito dificilmente será capaz de – ao menos – igualar aquele desempenho anterior. Portanto, apesar de eles adorarem desafios e de eventualmente precisarem recarregar a bateria, resgatar a sua identidade e receber o carinho da sua gente, eu preferia gremistas pelos quais serei eternamente grato ocupando um papel de formação, prospecção, definição e fiscalização de CRITÉRIOS sobre DO QUE É FEITO O GRÊMIO E O QUE SIGNIFICA SER GREMISTA. Felipão deveria ser o que é Rui Costa, assim como Renato Portaluppi e Roger deveriam ser conselheiros especiais do diretor-geral de futebol, ambos em diálogo constante com um dirigente maduro e conhecedor de futebol como Adalberto Preis. Isso posto, o clube deveria formar outros ex-jogadores, ex-técnicos e jovens conselheiros para cargos técnicos, políticos e institucionais, espraiando esse legado.

A falta dessa prática e dessa metodologia de gestão oferece imensas dificuldades, tanto quando o Conselho de Administração posterior não for da Situação quanto o excesso de preocupação com resultados imediatos e com a “corneta” da imprensa e do Conselho Deliberativo que, no frigir dos ovos, atrapalha demais e contribui de menos.

Pensando e agindo assim, independentemente da fase técnica, da qualidade dos jogadores formados pelas categorias de base, da condição financeira e dos resultados em campo, o Grêmio manteria a memória afetiva do associado e do fã em geral, facilitaria a compreensão do torcedor e da própria mídia acerca de qual perfil de jogador para cada posição seria o preferencial, aliando características físicas, técnicas e psicológicas necessárias ao estilo do Grêmio.

A questão tática deveria ser constantemente observada em função da performance dos clubes e das seleções mais vitoriosas do mundo na atualidade, sendo implementada do profissional ao Sub-8. E um trabalho bem feito nesse sentido resulta em jogadores mais adequados, identificados, de rápida entrada no time de cima, sem sentir o peso da responsabilidade. Mais do que isso: o desafio de tentar manter esses valores na Arena por mais tempo e de negociá-los por valores justos para o mercado europeu torna-se viável.

Parece que esse trabalho tem sido feito, ainda que sem o tripé político-técnico-institucional que sugiro e está começando a funcionar.

Penso que a visão que sugiro eliminaria o pensamento mágico direto (dirigente + técnico + craque campeões do mundo), pois nenhum deles estaria no mesmo cargo: eles seriam os SÍMBOLOS, não os executores.

Ao contrário do que muitos pensam, não considero que o principal problema de Felipão hoje seja um dos cinco mais comentados. Logo, pra mim, o que incomoda NÃO SÃO:

1) Sua idade: afinal de contas, Jupp Heinckes venceu a UEFA Champions League com o F.C. Bayern München aos 69 anos na temporada 2012-2013;

2) Nem uma certa teimosia acerca de certas convicções pessoais na concepção de um time: afinal de contas, todos os treinadores têm lá os seus “bruxos” ou insistem na repetição de certas movimentações em campo que não surtem muito efeito;

3) O fato de não investir em cursos, seminários ou falar fluentemente inglês, italiano, espanhol, francês e/ou alemão: afinal de contas, há jovens emissários formados em Educação Física que podem lhe proporcionar reciclagem tática.

Acho que o salário de Felipão é uma contradição enorme se pensarmos na austeridade orçamentária proposta pelo presidente Romildo Bolzan Jr.: se ele recebe o que se comenta por aí (cerca de R$900.000,00), temos aí a repetição da maior distorção do futebol brasileiro, que é considerar os técnicos como popstars, onipotentes, onipresentes e capazes de decidir mais do que os jogadores. Dentro de campo, defendo que o protagonismo é sempre do boleiro.

O técnico, o executor, o cara da “mão na massa”, a meu ver, deveria ter sido escolhido conforme a necessidade ATUAL do clube, com um pensamento de RECOMEÇO (quase) DO ZERO, voltado para LONGO PRAZO (cinco anos).

Lembram-se do F.C. Liverpool, que desmanchou-se pouco tempo depois de ter conquistado a UEFA Champions League 2004-2005 e o vice-campeonato na mesma competição em 2006-2007? Ele tinha uma mescla de jogadores guerreiros e técnicos; jovens e experientes, com a característica de luta e de comunhão para com sua torcida.

Pois bem: a fórmula de contratar jovens promissores mas seguindo a velha característica do centroavante de área não dá mais certo, pois o futebol contemporâneo requer movimentação constante, velocidade e envolvimento de todo o time na marcação. Os volantes necessariamente devem saber passar, lançar e chegar na cara do gol para a conclusão, além de os zagueiros serem exímios passadores com alta velocidade de recomposição no posicionamento. “Domina-e-passa, domina-e-passa, aproxima, abre e inverte” é uma dinâmica muitíssimo mais eficiente do que “lança, corre atrás, dribla, dribla” e “cruza e cabeceia”.

E é justamente por isso que considero Felipão desatualizado: ele prefere utilizar como dinâmica essencial os recursos técnicos e de posicionamento que são cada vez mais a exceção em busca de vitórias frequentes.

Assim, para trabalhar com jovens e montar um time com paciência, contando com o apoio da torcida e deixando a encheção de saco da imprensa de lado, precisaríamos de um técnico com um perfil muito próximo com o do inglês Brendan Rodgers, que subiu com o Swansea do País de Gales para a Premier League, encarou todos os grandes sem medo, criou e manteve uma base para esse pequeno clube e, no Liverpool, foi recebido com carta branca para acertar o time e – só então – passar a obter resultados.

Seu trabalho recém está encerrando a terceira temporada. Infelizmente, no Brasil, dificilmente haveria desprendimento suficiente para mandar uma banana para o trinômio imprensa polemista – conselheiro corneteiro – torcedor bipolar. Mas essa seria a opção mais recomendada.