“CONCENTRAÇÃO” PRA QUE?!

Embora o seguinte fato não se trate de nenhuma novidade, nunca é demais lembrar que o futebol brasileiro masculino profissional compõe um meio extremamente conservador e amador: embora envolva altas cifras e busque sempre resultados financeiros sólidos o suficiente para permitir a montagem de um plantel de ponta, há uma série de decisões tomadas apenas com base na intuição dos dirigentes e das comissões técnicas de nossos clubes.

Normalmente, a maioria desse conjunto de dirigentes e técnicos defende as suas próprias crenças em valores sociais após observações nada científicas da sua aplicação. Essa contradição torna-se extremamente anacrônica em tempos onde palavras como “gestão” e “profissionalismo” valorizar os setores de Administração, Finanças, Comunicação e Marketing como os catalisadores de recursos para a montagem de times vencedores.

Não é porque já lidou-se com jogadores de baixíssima instrução quase desprovidos de um “norte” familiar e nem tampouco por causa das metodologias disciplinares da escola, da igreja, do exército ou da empresa que tais procedimentos devam ser naturalizados como se toda instituição composta por muitos homens jovens e atléticos cuja maioria é oriunda da miséria e/ou da violência fosse funcionar só porque se acredita que “a vida é assim e pronto”.

João Paulo Medina defende (e eu também) que é preciso humanizar o futebol com uma presença maior de psicólogos, sociólogos, filósofos, historiadores e comunicólogos. Não que essas disciplinas sejam a chave para o sucesso absoluto, mas, sim, porque o esporte lida com PESSOAS. E as pessoas possuem SENTIMENTOS. O Direito (ciência normativa mais objetiva do que sensível, onde prevalecem a igualdade e a objetividade sobre a equidade – muito embora os sujeitos repitam uma série de práticas com bastante semelhança), as Exatas e a Medicina apresentam formas de raciocinar e de entender o mundo que não conseguem abarcar a complexidade da CONEXÃO entre as pessoas.

O futebol é tão complexo que não há mais espaço para que os mínimos detalhes sejam omitidos ou minimizados: portanto, não há mais como atacar a doença a partir das minúcias da especialidade que não consegue enxergar o todo, ao passo que as atitudes também não podem ser vistas como meras relações causais (isto é, de causa e efeito, onde supõe-se que “sempre” que acontecer “assim”, o resultado será “assado”). Logo, nem a postura do juiz severo e (supostamente) imparcial, nem o domínio físico-químico-orgânico e muito menos a lógica matemática são capazes de apresentar soluções para tudo e para todos. O valor, o respeito e a importância de cada área do conhecimento deve ser visto como igual e complementar, nunca como submisso, superior e nem tampouco como isolado ou de exceção.

Quando o Corinthians teve o sociólogo Adilson Monteiro Alves como vice-presidente de futebol (1982-1985) e jogadores com um grau de instrução e de politização acima da média (sendo muitos deles pratas da casa), a chamada Democracia Corintiana aboliu a concentração para os jogadores casados nos jogos disputados em São Paulo e os jogadores tinham maior autonomia e personalidade para definir junto ao técnico da escalação ao posicionamento.

Aquele time de Leão, Alfinete, Ataliba, Biro-Biro, Eduardo, Zenon, Sócrates, Casagrande, Vladimir e outros obteve muitos resultados positivos, apesar de não ter sido campeão brasileiro, em função da dificuldade que a época trazia consigo: afinal de contas, o país de então apresentava muitos timaços e ainda não sofria com o êxito de jogadores para o exterior.

Havia MATURIDADE, INTERESSE e UNIÃO suficientes para que os jogadores fossem RESPONSÁVEIS e pensassem COLETIVAMENTE. Esse mantra acompanha os times vitoriosos e é o desejo de todo dirigente. No entanto, infelizmente, a maioria dos que ocupam amadoristicamente cargos de chefia no nosso futebol considera que a castração, a poda, a restrição, o sacrifício, o controle total, absoluto e irrestrito sobre o corpo, sobre a alimentação, sobre o sono e sobre o comportamento dos jogadores é a única (ou, então, a mais eficiente) forma de obter o resultado desejado.

Todavia, sem um conhecimento mais profundo do que o superficial e sem a mente aberta, não é possível determinar se a maioria de um determinado plantel precisa de vigilância ou de liberdade. Além disso, a busca da igualdade sem que eventuais diferenciações de tratamento sejam tidas como privilégio de uns em prejuízo de outros não garante o sucesso: se a bola pune, o simplismo na análise do grupo de comandados pode punir mais ainda.

Enfim… Ainda que por linhas tortas (isto é, não por ideologia e nem por profissionalismo mas, sim, por causa das dificuldades financeiras pelas quais têm passado ultimamente), Botafogo, Fluminense (esses dois com o plano já em andamento) e o nosso Grêmio buscam abolir a concentração nos jogos em casa.

O presidente Romildo Bolzan Jr. e o executivo de futebol Rui Costa tornaram pública essa possibilidade. Falta ainda a anuência (ou não) do técnico Luiz Felipe Scolari. Posso até estar enganado mas, em um primeiro momento, imagino que Felipão tenda a não concordar com essa possibilidade.

Há muito tempo tenho pensado no custo que representa bancar hotel para 17 jogadores, técnico, preparador físico, treinador de goleiros, médico, massagista, nutricionista, fisiologista, presidente e executivo de futebol quando todos possuem carteira de motorista e moram a uma distância que, com um grave engarrafamento, não chega – na pior das hipóteses – sequer a uma hora e meia do estádio.

Em uma profissão na qual os jogadores passam muito tempo em viagem, estar junto da família e/ou de amigos é fundamental para restabelecer o equilíbrio emocional. E uma mente relaxada jamais foi sinônimo de uma mente relapsa ou desconcentrada de seu objetivo. Aliás, sendo o corpo do jogador o seu maior patrimônio e o seu ganha-pão, nenhuma mãe, pai, esposa, irmão, filho, filha, sobrinhos ou amigos DE VERDADE serão estúpidos o suficiente para não ajudarem o boleiro a se cuidar.

Pergunto: se as famílias dos jogadores em dias regulares já ajudam-no a tratar de suas eventuais lesões; na administração de medicamentos, no descanso e na alimentação, por que justamente na véspera dos jogos iriam degringolar?!

Pra terminar, embora não seja médico nem psicólogo, defendo o fim da concentração também por outra razão que julgo ser bastante significativa: se há jogadores imaturos e famílias que não colaboram, está mais do que na hora de todos amadurecerem. Porque, do contrário, é sinal de que o próprio jogador não está interessado em levar a sério nem a sua carreira, nem a sua vida.

COMO TORNAR O BRASILEIRÃO POR PONTOS CORRIDOS MAIS EMPOLGANTE E VENDÁVEL

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Os intere$$e$ da TV (horários que dificultam uma alta frequência nos estádios e privilégio econômico aos clubes que apresentam maior contingente demográfico); a atitude de CBF + CONMEBOL (sua preocupação com o torcedor e com os jogadores é mínima: para essas federações, basta pingar a grana dos patrocinadores e manter a sua estrutura “organizacional” que está “tudo bem”); a desunião dos clubes (nunca concordaram em relação à imposição de um teto salarial e nem tampouco aceitam compartilhar irmamente a receita oriunda dos direitos de imagem); um STJD viciado (“juízes” ou “auditores” nomeados, quase todos do Rio de Janeiro, com excesso de subjetividade na interpretação de uma legislação escancaradamente aberta a n interpretações), as fraquíssimas arbitragens (é preciso profissionalizá-la com urgência, a partir de muito treinamento e de uma profunda revisão de critérios), a maxivalorização de salários para técnicos e jogadores (qualquer um ganha de R$300 mil para cima) e o êxodo constante de jovens são questões que tem sido bastante debatidas entre todos esses atores, com o protagonismo do Bom Senso FC, já de conhecimento do Ministério do Esporte, da Presidência da República e do Congresso Nacional.

Apesar de – HOJE – ainda não vermos nenhuma luz quanto a uma necessária solução para todos os problemas acima relacionados, trago uma proposta de fórmula e de calendário.

Por que considero isso importante? Porque temos clubes centenários com orçamento superior ao de 90% dos municípios de seus respectivos estados (ao menos essa é a realidade do Grêmio e do nosso Tradicional Adversário aqui no RS) cujas novíssimas arenas nunca lotaram desde as suas respectivas inaugurações em jogos oficiais do próprio mandante.

Precisamos urgentemente tentar aumentar a emoção, a quantidade de público e o engajamento dos fãs para com o futebol brasileiro, tanto dentro quanto fora dos estádios: afinal de contas, se para cada solução de um problema surge um novo problema, é preciso definirmos soluções para os problemas guarda-chuva, isto é, aquele problemão que abarca uma série de problemas menores, diretamente relacionados.

Pra começar, o conflito geracional entre os fãs mais antigos (acima dos 30 anos) e os mais jovens (que nunca viram outra fórmula nem conquista de título relevante por parte do seu clube do coração neste século) sobre o BRASILEIRÃO me parece inócuo: por três questões (financeira, para os clubes; de facilidade de entendimento da disputa, para o público e a mídia ; e de equilíbrio técnico), considero fundamental a manutenção da fórmula de disputa todos contra todos em ida e volta sem formulismo, sem fases eliminatórias.

O comentarista Paulo Vinicius Coelho, o PVC, dos canais Fox Sports Brasil (ex-ESPN Brasil), fez um levantamento: em todos os Brasileirões com um turno sem volta e fases eliminatórias das quartas-de-final até a decisão (fórmula preponderante antes do advento dos pontos corridos em 2003), 75% dos rebaixados da temporada seguinte estavam entre os 12 clubes que não disputaram os “mata-mata”. Isso se deve ao fato de eles terem passado por uma abrupta queda de receita que não acompanhou uma redução em investimentos. Afinal de contas, uma eliminação com um mês e meio ou dois antes da temporada encerrar-se não elimina a necessidade de pagar salários e nem o 13º, além de essas férias forçadas afastarem patrocinadores.

Ida e volta premia a melhor campanha, sem risco de sermos surpreendidos pelo acaso: quem investe melhor, quem tem critérios claros de formação de plantel e busca continuidade e um trabalho de longo prazo vence com justiça.

Claro que há alguns ajustes a fazer. Nisso, o futebol brasileiro – se quiser – poderá ser protagonista e demonstrar que aprendemos algo com a Copa do Mundo de 2014: o desejo de proporcionar ESPETÁCULO e EMOÇÃO. Mas a minha proposta eu deixo para mais adiante. ;)

A COPA DO BRASIL é, indubitavelmente, um torneio menor: ela vale muito menos, pois são muito menos jogos, misturam times fortes com times fracos e serve muito mais para uma integração nacional e para premiar a adrenalina lá em cima durante o tempo todo, além de possibilitar a ocorrência do acaso.

A Copa é um torneio interessante, do qual o próprio Grêmio obteve lucros e dividendos significativos. Construímos a nossa memória como pioneiros, mas não temos mais tido envolvimento e dedicação por parte de nossos jovens, que utilizam o Tricolor como barriga de aluguel para enriquecerem na Coreia do Sul, na Suíça, na Ucrânia ou no Japão, ao invés de terem uma marca reconhecida por aqui. O acaso tem diminuído nos últimos anos, com a redução da chegada de clubes da Série B às fases decisivas e com a repetição de figurinhas carimbadas do cenário do futebol nacional.

Isso demonstra que investir mais não apenas favorece um desempenho vitorioso no campeonato (enduro, maratona, longo prazo) como também no torneio (adrenalina e acaso).

Uma duração maior e mais clubes na Copa do Brasil valorizam a competição. Todavia, a época na qual ocorre e a concorrência com a Libertadores e com a Sul-Americana não deveria ocorrer.

Os ESTADUAIS, por sua vez, não deveriam ser disputados por grandes clubes com seus planteis profissionais. Para os grandes, disputá-los hoje consiste em tentar revelar jogadores da base, mas a maioria é jogada aos leões cedo demais e a quantidade de jogos dificilmente permitirá reconhecermos algum valor.

Como taça, como estatística, nem mesmo a rivalidade regional apresenta interesse. Não considero nem como consolação uma eventual vitória em Grenal e um troféu de campeão estadual, pois isso tende a enganar a todos (torcida, direção e mídia) acerca das reais possibilidades do vencedor.

Até mesmo para os pequenos clubes do interior é necessário rever esse modelo, pois eles não crescem em nível nacional, não obtém patrocinadores de vulto e não disputam partidas contra clubes de outros estados com maior poder aquisitivo, pois esse, sim, seria um parâmetro balizador da importância da sua existência para uma comunidade e para o esporte em si.

O célebre geógrafo Aziz Ab’Sáber falava em 81 regiões de mesma vocação socioeconômica e cultural no país. Essa sub-regionalização (bem mais estratificada do que as próprias subdivisões subjetivas definidas sem muito critério pelos próprios estados ha décadas) traria poucas distâncias, viagens curtas e baratas e movimentaria mais a economia de lugares pequenos e afastados dos grandes centros.

Esses campeões sub-regionais teriam vaga garantida em uma Copa do Brasil, que iniciaria por grupos entre os melhores de cada sub-região, começando com 256 clubes como na Copa da França, por exemplo. Dessa forma, haveria uma sinergia entre o time e a população local e fomentaríamos todas as rivalidades eminentemente locais para o público que prefere o futebol de raiz, aquele mais romântico e não tem tempo nem dinheiro para apreciar os grandes.

Voltemos agora ao Brasileirão: o público quer mais emoção, apesar de muitos ainda não terem entendido que cada time deveria jogar a morrer tanto um Grenal quanto uma partida contra a Chapecoense, pois todos os jogos valem os mesmíssimos três pontos. O que importa é o conjunto da obra, não um desgaste físico e emocional exagerado contra o Tradicional Adversário para depois perder duas partidas que não poderiam ter sido perdidas no momento decisivo. Toda partida é fundamental, mesmo que seja delicioso tocar flauta no vizinho. A vitória sobre esse rival precisa ser mais um tijolinho em uma construção, e não uma tentativa de enfiar um matacão granítico onde deveria haver um tijolo. Precisamos pensar em nós, não neles. Precisamos pensar na CAMPANHA, não em brilharecos pontuais.

Mas aí vocês perguntam: “Hélio, como trazer emoção e como valorizar cada jogo se a torcida tende a “brochar” quando o clube aparenta não ter mais chances de disputar o título e está longe da zona de rebaixamento?”

Bem… Algo que nunca assisti, li ou discuti antes no Brasil é a revisão dos critérios de desempate e da ordem dos jogos mantendo a mesmíssima fórmula de disputa. Só isso já seria suficiente para tornar o Brasileirão mais ofensivo ao mesmo tempo em que aumenta a memória do torcedor sobre os confrontos com cada adversário a partir da valorização das múltiplas rivalidades.

Qual seria a minha proposta? De realizar consecutivamente os dois confrontos entre cada um dos 20 clubes da Série A ao invés de mantermos o turno e retorno à moda europeia, valorizando os confrontos diretos ao invés de deixá-los esquecidos. Por exemplo: hoje, se o Grêmio joga contra o Cruzeiro e perde por 1×0 na 17ª rodada no Mineirão, somente o noticiário a partir de dois dias antes do jogo de volta lembrarão dos gols e das peculiaridades daquele resultado. Do contrário, ele passará quase batido pela nossa memória.

Aquela corneta gostosa do “grande contra os grandes e pequeno contra os pequenos” e a noção do time que “não dá mole pra mané” tornar-se-ão muito mais presentes nas nossas conversas e ajudarão a rechear a mídia de informações muito interessantes. A narrativa desses duelos de ida e volta consecutivos será mais rica, pois o frango de um goleiro no primeiro jogo manterá o suspense de como ele irá se recuperar emocional e tecnicamente contra os mesmos adversários, sem tempo para esquecer o trauma; uma sucessão de disputas ríspidas entre um volante e um meia ou entre um zagueiro e um atacante que não tiverem sido expulsos terá continuidade daqui a três dias ou, no máximo, daqui a uma semana?

Existe melhor forma de motivar um plantel e de mobilizar a torcida do que uma mídia espontânea e contínua a fim de criar expectativa para um duelo que precisa ser resolvido rapidamente? ;)

E quanto à mudança na ordem dos critérios de desempate e no estabelecimento de um novo critério? Isso se faz necessário para fomentar a emoção, para aumentar a quantidade de contra-ataques e para estimular a formação de meias de ligação e de atacantes de velocidade por todo o país.

Logo abaixo dos pontos corridos, o primeiro critério deveria ser o CONFRONTO DIRETO, com a seguinte ordem de subcritérios: pontos corridos, gols pró, saldo de gols e, finalmente, maior número de gols fora de casa.

No entanto, como o campeonato permanece sendo por pontos corridos e em 38 rodadas, o confronto direto só vale para diferenciar duas campanhas iguais em pontos – que isso fique bem claro.

Caso a igualdade em pontos e no confronto direto permaneça, o critério seguinte será o maior número de gols pró. Na sequência, maior saldo de gols.

Dessa forma, os ataques e os contra-ataques sempre serão privilegiados. A busca pela vitória superará muito a busca pelo empate, reduzindo enormemente as retrancas dos pequenos. Além disso, a cobrança do próprio plantel e da própria torcida caso ocorra alguma desvantagem no confronto direto perante algum dos “cabeças” da classificação será sempre por vencer o próximo jogo.

Para a televisão, o interessante passará a ser a valorização de cada duplo duelo, mantendo o pay per view assim como ele está, mas procurando facilitar o envolvimento da audiência ao dedicar espaço igual nos noticiários para cada confronto, além de transmitir os dois jogos no mesmo dia da semana e no mesmo horário.

Dessa forma, acredito que, independentemente da escassez de craques, o futebol brasileiro irá tornar-se mais veloz (que é a nossa grande lacuna perante a Europa, com reflexos positivos para a Seleção), mais emocionante (atraindo público para as arenas e para a TV, trazendo os mais velhos de volta) e – sem sombra de dúvida – muito mais vendável, possibilitando à TV, às federações e aos clubes faturarem muito mais em vendas para o exterior e em transmissões via internet.

Como essa sugestão me parece encaminhar-nos para um círculo virtuoso, as associações, a venda de produtos, os convites para amistosos na Ásia, na América do Norte e na Europa, a possibilidade de nós trazermos times de fora para cá e o faturamento possibilitarão investimentos que tornarão nossos clubes novamente competitivos em nível global.

Como Garrincha disse a Vicente Feola em 1958 na Suécia ao final da preleção, “só faltou combinar com os russos”. E aí? Vamos tentar pôr essa ideia em prática? ;)

GRÊMIO: PEÇO MUITA SABEDORIA NA MONTAGEM DO PLANTEL 2015

Após a melancólica despedida do #BR14 com uma atuação lastimável, é chegado o momento de nos preocuparmos com o futuro: como será o Grêmio em 2015?

Pessoalmente, preferiria que o ex-presidente Fábio Koff e o futuro presidente Romildo Bolzan fossem mais claros e mais específicos acerca da inevitável e radical “mudança de fotografia” no plantel tricolor para a próxima temporada: afinal de contas, há jogadores que são muito ou pouco dispensáveis e não seria nada bom sermos forçados a abrir mão de uma “espinha dorsal” que nos desse uma segurança mínima para um ano que promete ser muito difícil.

Ao mesmo tempo (embora pareça pedir demais), adoraria poder ver um utópico consenso na torcida: entendo que precisamos crescer devagar (pelo no mucho) e continuadamente. Isso significa que é melhor criar condições quase perenes de podermos atingir grandes títulos na maioria das futuras temporadas do que permanecer nessa condição de “montanha russa” ou de “eletrocardiograma”, na qual alternamos temporadas muito próximas do topo com temporadas de um risco absurdo de nos instalarmos no limbo.

Defendo que a meta financeira seja sempre respeitada e jamais ultrapassada. E precisamos destinar parte de nossa receita para “pagarmos títulos”. Todavia, parece ser muito determinista e muito vago – ao mesmo tempo – estabelecer que precisamos reduzir 30% da folha de pagamento em 2015 para preservarmos uma necessária capacidade de endividamento.

Que os especialistas em gestão não enxerguem uma crítica nem uma contradição nas suas exigências técnicas aí: neste caso, a bola está com os homens do futebol, que costumam misturar o seu lado torcedor com as críticas de uma imprensa nem tão especializada assim e com o medo de perderem apoio politico dentro de um Conselho Deliberativo que peca pela alternância entre governismo e oposicionismo, além de uma cornetagem generalizada.

Sabemos que é dificílimo lidar com pessoas: tanto dirigentes quanto técnicos possuem experiência e intuição, mas tenho certeza de que todos os gremistas gostariam de conhecer critérios mais objetivos do que subjetivos de avaliação de jogadores. Temos avaliadores de desempenho, ex-atletas laureados, preparadores físicos e técnicos nas categorias de base que já passaram por vários clubes vitoriosos e um amplo conhecimento da cultura do clube aí acumuladas.

Quero crer que esse pessoal todo seja ouvido. Não vejo como positiva uma avaliação cabal de “vai ou fica” restrita apenas a Felipão, Murtosa, Ivo Wortmann, Rui Costa e Fábio Koff: apesar de parecerem cabeças privilegiadas e – de fato – serem os principais definidores da montagem do time, todos pensam de maneira muito parecida e, em situações extremas, um outro olhar é sempre muito importante.

É PRECISO SABER VIVER, GREMISTADA!

Gremistada querida,

Desta vez, irei cansar menos a beleza da nossa nação: dividirei uma série de considerações sobre o contexto que envolve o nosso TRICOLOR DOS PAMPAS em vários posts diferentes.

Temos muito o que falar sobre o clube e acho que todos irão querer debater cada tópico.

De maneira geral, serei polêmico, mas repleto de dados e de opiniões. Obviamente, todos têm o DEVER de contestar, de corrigir e de complementar algum equívoco ou alguma contradição.

A premissa básica é a seguinte:

Precisamos, com urgência, descer do pedestal: temos que admitir – com franqueza – que não somos mais um grande clube no presente.

Ao mesmo tempo, precisamos RECOMEÇAR com um CRESCIMENTO CONTINUADO, aceitando COMEÇAR DE BAIXO, até que possamos atingir um grau em que seja QUASE IMPOSSÍVEL RETROCEDER.

Já adianto que, não importando se as “cabeças” do clube na próxima década forem lideradas por Romildo, Homero ou alguém por vir, se quisermos estar QUASE SEMPRE deputado TÍTULOS (e Gauchão não é mais título há muito tempo), esse CHOQUE é VITAL.

Nos próximos posts, vou destrinchar melhor esses temas. ;)

GRÊMIO: BALANÇO 2014

Infelizmente, a bola pune: as derrotas do nosso Grêmio para Cruzeiro e Corinthians nos eliminaram da Libertadores 2015. :”(

Muitos gremistas esbravejam nas redes sociais da internet sobre preferirem não  enganar a si mesmos nem sentirem-se enganados pelo clube caso ele obtenha uma vaga à competição continental com um plantel de baixa qualidade. Pois eu penso no dinheiro extra e – sobretudo – na visibilidade de estar na vitrine: afinal de contas, se é ruim entrar na Libertadores sem chances de conquistá-la, muito, mas muito pior MESMO é estar fora dela.

Na hora H, no dia D, perdemos em casa para a Raposa. Na hora I, no dia E, perdemos um confronto direto para o alvinegro do Parque São Jorge. Na hora J, no dia F, o Tradicional Adversário passou a vencer na bacia das almas tanto dentro quanto fora de casa. Na hora K, no dia G, o Galo conquistou a Copa do Brasil, mas não abriu uma quinta vaga porque não entrará entre os quatro primeiros classificados ao final do Brasileirão 2014.

Não há nenhuma “teoria da conspiração” minimamente honesta que possa ser levada em consideração. Nem mesmo um suposto “azar”, pois as limitações que apresentamos durante toda a temporada apenas nos deram uma trégua no Grenal 403 e na goleada subsequente contra o lanterna e já rebaixado Criciúma.

Sempre tendo a torcer MUITO por QUALQUER dirigente, técnico e jogador que vista a nossa camiseta iluminada. No entanto, agora que a poeira baixou, já curado da decepção e da raiva, acho que o meu parecer sobre o plantel tricolor neste ano que se encerrará em dois domingos pode chegar a um bom equilíbrio.

GOLEIROS: em princípio, Marcelo Grohe me parece OK. Não é genial, mas é muito bom. Prata da casa, maduro, identificado com a torcida.

LATERAIS: Pará é fraco, mas todos os seus reservas e os guris da base são piores. Contratar para a posição urge. E, caso o salário do Marcos Véio seja alto demais para um reserva, prefiro negociá-lo. Pelo lado esquerdo, temos que ver se o interminável, qualificado e cidadão Zé Roberto permanecerá. Esse é outro que não possui banco. Mas, de todos os jogadores caros, até por ser exemplar, este seria a minha opção para manter.

ZAGUEIROS: Rhodolfo é muito bom. No entanto, ele não possui reserva. Geromel, infelizmente, não permanecerá, pois é muito caro e tem propostas de vários clubes. Douglas Grolli e Saimon estão muito aquém do nível exigido por um grande clube e não me servem nem como reservas. Já o sempre criticado Bressan é promissor e está aprendendo. Eu começaria a temporada com ele ao lado de Rhodolfo, mas contrataria um reserva e subiria um ou dois da base.

CENTROMÉDIOS: esta é a posição mais carente do clube. Ramiro erra passes demais, não tem velocidade e é constantemente envolvido pelos meias adversários. Fellipe Bastos é bom jogador, mas não é veloz e alterna altos e baixos. Riveros é maduro e tem personalidade, um ótimo pé canhoto, avança com qualidade, mas é lento e não aguenta os 90 minutos. Edinho nem no banco tem ficado. Precisamos de pelo menos dois novos jogadores para a posição, com mais passe, mais velocidade e mais vitalidade. Os únicos que possuem essas características são Matheus Biteco (mais técnico e mais veloz) e a grande revelação da temporada, o jovem Walace, que terão um futuro brilhante.

MEIAS: Alan Ruiz é lento e caro. Giuliano precisa se curar para desempenhar o seu melhor. Luan deveria ser vendido, pois não acredito que irá vingar e é preciso aproveitar o momento em que ele tem sido constantemente convocado para as seleções de base. Na falta de alguém da base, precisamos contratar.

ATACANTES: Barcos é dedicado, porém caro e apresenta muitas dificuldades contra adversários de alto nível, justamente quando mais precisamos dele. Gosto da pessoa, respeito o homem e valorizo algumas qualidades do jogador. O complicador é que todos os outros são bem piores do que o Pirata. Dudu não sabe arrematar e só consegue jogar em velocidade contra times desorganizados. Além disso, é muito caro e não vale nem metade dos seis milhões de euros que o Dínamo Kiev pede por ele. Lucas Coelho é fraquíssimo.

Com menos dinheiro e com uma torcida bastante cética, eu aconselharia a direção a manter Grohe (e os goleiros reservas), Pará (com possibilidade de ser reserva), Zé Roberto, Rhodolfo, Bressan, Matheus Biteco, Walace, Ramiro (como reserva), Giuliano e Barcos (de preferência como reserva). Daí para a frente, precisamos aproveitar muitos guris das categorias de base e fazermos contratações para compor o grupo. Precisamos investir pesado em um meia.