MARKETING DO GRÊMIO E EXÉRCITO GREMISTA: VAMOS AJUDAR?

Lembram-se do Exército Gremista? É aquele cadastro para sócios e não-sócios criado na gestão Duda Kroeff (quando o hoje diretor de futebol César Pacheco era o diretor de marketing), com o objetivo de obedecer um artigo do Estatuto do Torcedor que solicitava a identificação dos frequentadores dos estádios sob responsabilidade dos clubes como uma medida de segurança.

Pois o Tricolor dos Pampas foi o clube mais bem-sucedido do país naquela época (2009-2010): nos últimos tempos do saudoso Estádio Olímpico Monumental, o Exército Gremista forneceu uma base de dados riquíssima, que funcionou como uma espécie de censo, cuja amostragem em relação ao universo estimado de gremistas (cerca de 6,8 milhões segundo a pesquisa de , muito embora muitos insistam em citar o número 8 milhões, que ainda não apresenta nenhum embasamento científico) foi bastante significativa.

Hoje (22/05/2015), entrei no site do Exército Gremista e cliquei na seta junto à quantidade atual de cadastrados (mais exatamente 584.511 gremistas, até às 13:10h). Ela abre uma página com as seguintes estatísticas resumidas e demonstradas em gráficos quantitativos:

Exército Gremista ou CTG (Cadastro de Torcedor Gremista)

Quantidade de cadastrados por cidade e por região

O título deste post não é uma crítica e tampouco devemos cobrar do excelente executivo Beto Carvalho e equipe a divulgação de dados e de estratégias sigilosas. Afinal de contas, o segredo é a alma do negócio. Contudo, se cada gremista tiver o mínimo de curiosidade para digitar o nome de uma cidade qualquer e receber um gráfico atualizado sobre seus dados, certamente surgirão muitas ideias.

Se cada gremista que conhece a sua região (cultura, comércio, opções de lazer, onde os gremistas da cidade se reúnem para assistir aos jogos, como eles montam caravanas, quantos são sócios, por que outros ainda não se associaram, etc.), certamente poderão ajudar MUITO o clube, fornecendo a sua visão aos respectivos consulados.

O cônsul precisa então repassar ao Departamento Consular essas opiniões, a fim de que sejam mapeadas semelhanças e diferenças por região e, assim, o marketing possa agir.

Ainda que tenhamos ferramentas digitais que mineram dados instantaneamente e permitem vários cruzamentos, a impressão subjetiva fornece dados qualitativos que a quantificação matemática não consegue oferecer.

REPENSANDO O GRÊMIO

Costumo ser bastante crítico e – até certo ponto – pessimista. Como torcedor, obviamente, não tenho como conhecer o plantel nem todas as opções testadas pelo técnico por, simplesmente, não ser profissional e não frequentar os treinos. Mas isso não impede nenhum dos 6,8 milhões de Felipões de opinar. ;)

Não tenho por que tecer críticas pessoais e desconheço o íntimo das pessoas e do ambiente de trabalho. Apenas falo por mim em função daquilo que observo assistindo a tantos campeonatos e acompanhando tantas notícias sobre futebol.

Começo por Felipão, nosso treinador tão carismático quanto vitorioso, altamente identificado com o torcedor gremista, contra quem quase ninguém irá criticar.

Embora a esmagadora maioria dos tricolores discorde de mim, aconteça o que acontecer, por mais que apoie e sempre torça para que tudo dê certo, não queria Felipão de volta.

Salvo raras e honrosas exceções, qualquer técnico, jogador ou dirigente multicampeão que um dia retorne ao clube pelo qual obteve algumas das conquistas mais importantes de sua respectiva carreira muito dificilmente será capaz de – ao menos – igualar aquele desempenho anterior. Portanto, apesar de eles adorarem desafios e de eventualmente precisarem recarregar a bateria, resgatar a sua identidade e receber o carinho da sua gente, eu preferia gremistas pelos quais serei eternamente grato ocupando um papel de formação, prospecção, definição e fiscalização de CRITÉRIOS sobre DO QUE É FEITO O GRÊMIO E O QUE SIGNIFICA SER GREMISTA. Felipão deveria ser o que é Rui Costa, assim como Renato Portaluppi e Roger deveriam ser conselheiros especiais do diretor-geral de futebol, ambos em diálogo constante com um dirigente maduro e conhecedor de futebol como Adalberto Preis. Isso posto, o clube deveria formar outros ex-jogadores, ex-técnicos e jovens conselheiros para cargos técnicos, políticos e institucionais, espraiando esse legado.

A falta dessa prática e dessa metodologia de gestão oferece imensas dificuldades, tanto quando o Conselho de Administração posterior não for da Situação quanto o excesso de preocupação com resultados imediatos e com a “corneta” da imprensa e do Conselho Deliberativo que, no frigir dos ovos, atrapalha demais e contribui de menos.

Pensando e agindo assim, independentemente da fase técnica, da qualidade dos jogadores formados pelas categorias de base, da condição financeira e dos resultados em campo, o Grêmio manteria a memória afetiva do associado e do fã em geral, facilitaria a compreensão do torcedor e da própria mídia acerca de qual perfil de jogador para cada posição seria o preferencial, aliando características físicas, técnicas e psicológicas necessárias ao estilo do Grêmio.

A questão tática deveria ser constantemente observada em função da performance dos clubes e das seleções mais vitoriosas do mundo na atualidade, sendo implementada do profissional ao Sub-8. E um trabalho bem feito nesse sentido resulta em jogadores mais adequados, identificados, de rápida entrada no time de cima, sem sentir o peso da responsabilidade. Mais do que isso: o desafio de tentar manter esses valores na Arena por mais tempo e de negociá-los por valores justos para o mercado europeu torna-se viável.

Parece que esse trabalho tem sido feito, ainda que sem o tripé político-técnico-institucional que sugiro e está começando a funcionar.

Penso que a visão que sugiro eliminaria o pensamento mágico direto (dirigente + técnico + craque campeões do mundo), pois nenhum deles estaria no mesmo cargo: eles seriam os SÍMBOLOS, não os executores.

Ao contrário do que muitos pensam, não considero que o principal problema de Felipão hoje seja um dos cinco mais comentados. Logo, pra mim, o que incomoda NÃO SÃO:

1) Sua idade: afinal de contas, Jupp Heinckes venceu a UEFA Champions League com o F.C. Bayern München aos 69 anos na temporada 2012-2013;

2) Nem uma certa teimosia acerca de certas convicções pessoais na concepção de um time: afinal de contas, todos os treinadores têm lá os seus “bruxos” ou insistem na repetição de certas movimentações em campo que não surtem muito efeito;

3) O fato de não investir em cursos, seminários ou falar fluentemente inglês, italiano, espanhol, francês e/ou alemão: afinal de contas, há jovens emissários formados em Educação Física que podem lhe proporcionar reciclagem tática.

Acho que o salário de Felipão é uma contradição enorme se pensarmos na austeridade orçamentária proposta pelo presidente Romildo Bolzan Jr.: se ele recebe o que se comenta por aí (cerca de R$900.000,00), temos aí a repetição da maior distorção do futebol brasileiro, que é considerar os técnicos como popstars, onipotentes, onipresentes e capazes de decidir mais do que os jogadores. Dentro de campo, defendo que o protagonismo é sempre do boleiro.

O técnico, o executor, o cara da “mão na massa”, a meu ver, deveria ter sido escolhido conforme a necessidade ATUAL do clube, com um pensamento de RECOMEÇO (quase) DO ZERO, voltado para LONGO PRAZO (cinco anos).

Lembram-se do F.C. Liverpool, que desmanchou-se pouco tempo depois de ter conquistado a UEFA Champions League 2004-2005 e o vice-campeonato na mesma competição em 2006-2007? Ele tinha uma mescla de jogadores guerreiros e técnicos; jovens e experientes, com a característica de luta e de comunhão para com sua torcida.

Pois bem: a fórmula de contratar jovens promissores mas seguindo a velha característica do centroavante de área não dá mais certo, pois o futebol contemporâneo requer movimentação constante, velocidade e envolvimento de todo o time na marcação. Os volantes necessariamente devem saber passar, lançar e chegar na cara do gol para a conclusão, além de os zagueiros serem exímios passadores com alta velocidade de recomposição no posicionamento. “Domina-e-passa, domina-e-passa, aproxima, abre e inverte” é uma dinâmica muitíssimo mais eficiente do que “lança, corre atrás, dribla, dribla” e “cruza e cabeceia”.

E é justamente por isso que considero Felipão desatualizado: ele prefere utilizar como dinâmica essencial os recursos técnicos e de posicionamento que são cada vez mais a exceção em busca de vitórias frequentes.

Assim, para trabalhar com jovens e montar um time com paciência, contando com o apoio da torcida e deixando a encheção de saco da imprensa de lado, precisaríamos de um técnico com um perfil muito próximo com o do inglês Brendan Rodgers, que subiu com o Swansea do País de Gales para a Premier League, encarou todos os grandes sem medo, criou e manteve uma base para esse pequeno clube e, no Liverpool, foi recebido com carta branca para acertar o time e – só então – passar a obter resultados.

Seu trabalho recém está encerrando a terceira temporada. Infelizmente, no Brasil, dificilmente haveria desprendimento suficiente para mandar uma banana para o trinômio imprensa polemista – conselheiro corneteiro – torcedor bipolar. Mas essa seria a opção mais recomendada.

“CONCENTRAÇÃO” PRA QUE?!

Embora o seguinte fato não se trate de nenhuma novidade, nunca é demais lembrar que o futebol brasileiro masculino profissional compõe um meio extremamente conservador e amador: embora envolva altas cifras e busque sempre resultados financeiros sólidos o suficiente para permitir a montagem de um plantel de ponta, há uma série de decisões tomadas apenas com base na intuição dos dirigentes e das comissões técnicas de nossos clubes.

Normalmente, a maioria desse conjunto de dirigentes e técnicos defende as suas próprias crenças em valores sociais após observações nada científicas da sua aplicação. Essa contradição torna-se extremamente anacrônica em tempos onde palavras como “gestão” e “profissionalismo” valorizar os setores de Administração, Finanças, Comunicação e Marketing como os catalisadores de recursos para a montagem de times vencedores.

Não é porque já lidou-se com jogadores de baixíssima instrução quase desprovidos de um “norte” familiar e nem tampouco por causa das metodologias disciplinares da escola, da igreja, do exército ou da empresa que tais procedimentos devam ser naturalizados como se toda instituição composta por muitos homens jovens e atléticos cuja maioria é oriunda da miséria e/ou da violência fosse funcionar só porque se acredita que “a vida é assim e pronto”.

João Paulo Medina defende (e eu também) que é preciso humanizar o futebol com uma presença maior de psicólogos, sociólogos, filósofos, historiadores e comunicólogos. Não que essas disciplinas sejam a chave para o sucesso absoluto, mas, sim, porque o esporte lida com PESSOAS. E as pessoas possuem SENTIMENTOS. O Direito (ciência normativa mais objetiva do que sensível, onde prevalecem a igualdade e a objetividade sobre a equidade – muito embora os sujeitos repitam uma série de práticas com bastante semelhança), as Exatas e a Medicina apresentam formas de raciocinar e de entender o mundo que não conseguem abarcar a complexidade da CONEXÃO entre as pessoas.

O futebol é tão complexo que não há mais espaço para que os mínimos detalhes sejam omitidos ou minimizados: portanto, não há mais como atacar a doença a partir das minúcias da especialidade que não consegue enxergar o todo, ao passo que as atitudes também não podem ser vistas como meras relações causais (isto é, de causa e efeito, onde supõe-se que “sempre” que acontecer “assim”, o resultado será “assado”). Logo, nem a postura do juiz severo e (supostamente) imparcial, nem o domínio físico-químico-orgânico e muito menos a lógica matemática são capazes de apresentar soluções para tudo e para todos. O valor, o respeito e a importância de cada área do conhecimento deve ser visto como igual e complementar, nunca como submisso, superior e nem tampouco como isolado ou de exceção.

Quando o Corinthians teve o sociólogo Adilson Monteiro Alves como vice-presidente de futebol (1982-1985) e jogadores com um grau de instrução e de politização acima da média (sendo muitos deles pratas da casa), a chamada Democracia Corintiana aboliu a concentração para os jogadores casados nos jogos disputados em São Paulo e os jogadores tinham maior autonomia e personalidade para definir junto ao técnico da escalação ao posicionamento.

Aquele time de Leão, Alfinete, Ataliba, Biro-Biro, Eduardo, Zenon, Sócrates, Casagrande, Vladimir e outros obteve muitos resultados positivos, apesar de não ter sido campeão brasileiro, em função da dificuldade que a época trazia consigo: afinal de contas, o país de então apresentava muitos timaços e ainda não sofria com o êxito de jogadores para o exterior.

Havia MATURIDADE, INTERESSE e UNIÃO suficientes para que os jogadores fossem RESPONSÁVEIS e pensassem COLETIVAMENTE. Esse mantra acompanha os times vitoriosos e é o desejo de todo dirigente. No entanto, infelizmente, a maioria dos que ocupam amadoristicamente cargos de chefia no nosso futebol considera que a castração, a poda, a restrição, o sacrifício, o controle total, absoluto e irrestrito sobre o corpo, sobre a alimentação, sobre o sono e sobre o comportamento dos jogadores é a única (ou, então, a mais eficiente) forma de obter o resultado desejado.

Todavia, sem um conhecimento mais profundo do que o superficial e sem a mente aberta, não é possível determinar se a maioria de um determinado plantel precisa de vigilância ou de liberdade. Além disso, a busca da igualdade sem que eventuais diferenciações de tratamento sejam tidas como privilégio de uns em prejuízo de outros não garante o sucesso: se a bola pune, o simplismo na análise do grupo de comandados pode punir mais ainda.

Enfim… Ainda que por linhas tortas (isto é, não por ideologia e nem por profissionalismo mas, sim, por causa das dificuldades financeiras pelas quais têm passado ultimamente), Botafogo, Fluminense (esses dois com o plano já em andamento) e o nosso Grêmio buscam abolir a concentração nos jogos em casa.

O presidente Romildo Bolzan Jr. e o executivo de futebol Rui Costa tornaram pública essa possibilidade. Falta ainda a anuência (ou não) do técnico Luiz Felipe Scolari. Posso até estar enganado mas, em um primeiro momento, imagino que Felipão tenda a não concordar com essa possibilidade.

Há muito tempo tenho pensado no custo que representa bancar hotel para 17 jogadores, técnico, preparador físico, treinador de goleiros, médico, massagista, nutricionista, fisiologista, presidente e executivo de futebol quando todos possuem carteira de motorista e moram a uma distância que, com um grave engarrafamento, não chega – na pior das hipóteses – sequer a uma hora e meia do estádio.

Em uma profissão na qual os jogadores passam muito tempo em viagem, estar junto da família e/ou de amigos é fundamental para restabelecer o equilíbrio emocional. E uma mente relaxada jamais foi sinônimo de uma mente relapsa ou desconcentrada de seu objetivo. Aliás, sendo o corpo do jogador o seu maior patrimônio e o seu ganha-pão, nenhuma mãe, pai, esposa, irmão, filho, filha, sobrinhos ou amigos DE VERDADE serão estúpidos o suficiente para não ajudarem o boleiro a se cuidar.

Pergunto: se as famílias dos jogadores em dias regulares já ajudam-no a tratar de suas eventuais lesões; na administração de medicamentos, no descanso e na alimentação, por que justamente na véspera dos jogos iriam degringolar?!

Pra terminar, embora não seja médico nem psicólogo, defendo o fim da concentração também por outra razão que julgo ser bastante significativa: se há jogadores imaturos e famílias que não colaboram, está mais do que na hora de todos amadurecerem. Porque, do contrário, é sinal de que o próprio jogador não está interessado em levar a sério nem a sua carreira, nem a sua vida.

COMO TORNAR O BRASILEIRÃO POR PONTOS CORRIDOS MAIS EMPOLGANTE E VENDÁVEL

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Os intere$$e$ da TV (horários que dificultam uma alta frequência nos estádios e privilégio econômico aos clubes que apresentam maior contingente demográfico); a atitude de CBF + CONMEBOL (sua preocupação com o torcedor e com os jogadores é mínima: para essas federações, basta pingar a grana dos patrocinadores e manter a sua estrutura “organizacional” que está “tudo bem”); a desunião dos clubes (nunca concordaram em relação à imposição de um teto salarial e nem tampouco aceitam compartilhar irmamente a receita oriunda dos direitos de imagem); um STJD viciado (“juízes” ou “auditores” nomeados, quase todos do Rio de Janeiro, com excesso de subjetividade na interpretação de uma legislação escancaradamente aberta a n interpretações), as fraquíssimas arbitragens (é preciso profissionalizá-la com urgência, a partir de muito treinamento e de uma profunda revisão de critérios), a maxivalorização de salários para técnicos e jogadores (qualquer um ganha de R$300 mil para cima) e o êxodo constante de jovens são questões que tem sido bastante debatidas entre todos esses atores, com o protagonismo do Bom Senso FC, já de conhecimento do Ministério do Esporte, da Presidência da República e do Congresso Nacional.

Apesar de – HOJE – ainda não vermos nenhuma luz quanto a uma necessária solução para todos os problemas acima relacionados, trago uma proposta de fórmula e de calendário.

Por que considero isso importante? Porque temos clubes centenários com orçamento superior ao de 90% dos municípios de seus respectivos estados (ao menos essa é a realidade do Grêmio e do nosso Tradicional Adversário aqui no RS) cujas novíssimas arenas nunca lotaram desde as suas respectivas inaugurações em jogos oficiais do próprio mandante.

Precisamos urgentemente tentar aumentar a emoção, a quantidade de público e o engajamento dos fãs para com o futebol brasileiro, tanto dentro quanto fora dos estádios: afinal de contas, se para cada solução de um problema surge um novo problema, é preciso definirmos soluções para os problemas guarda-chuva, isto é, aquele problemão que abarca uma série de problemas menores, diretamente relacionados.

Pra começar, o conflito geracional entre os fãs mais antigos (acima dos 30 anos) e os mais jovens (que nunca viram outra fórmula nem conquista de título relevante por parte do seu clube do coração neste século) sobre o BRASILEIRÃO me parece inócuo: por três questões (financeira, para os clubes; de facilidade de entendimento da disputa, para o público e a mídia ; e de equilíbrio técnico), considero fundamental a manutenção da fórmula de disputa todos contra todos em ida e volta sem formulismo, sem fases eliminatórias.

O comentarista Paulo Vinicius Coelho, o PVC, dos canais Fox Sports Brasil (ex-ESPN Brasil), fez um levantamento: em todos os Brasileirões com um turno sem volta e fases eliminatórias das quartas-de-final até a decisão (fórmula preponderante antes do advento dos pontos corridos em 2003), 75% dos rebaixados da temporada seguinte estavam entre os 12 clubes que não disputaram os “mata-mata”. Isso se deve ao fato de eles terem passado por uma abrupta queda de receita que não acompanhou uma redução em investimentos. Afinal de contas, uma eliminação com um mês e meio ou dois antes da temporada encerrar-se não elimina a necessidade de pagar salários e nem o 13º, além de essas férias forçadas afastarem patrocinadores.

Ida e volta premia a melhor campanha, sem risco de sermos surpreendidos pelo acaso: quem investe melhor, quem tem critérios claros de formação de plantel e busca continuidade e um trabalho de longo prazo vence com justiça.

Claro que há alguns ajustes a fazer. Nisso, o futebol brasileiro – se quiser – poderá ser protagonista e demonstrar que aprendemos algo com a Copa do Mundo de 2014: o desejo de proporcionar ESPETÁCULO e EMOÇÃO. Mas a minha proposta eu deixo para mais adiante. ;)

A COPA DO BRASIL é, indubitavelmente, um torneio menor: ela vale muito menos, pois são muito menos jogos, misturam times fortes com times fracos e serve muito mais para uma integração nacional e para premiar a adrenalina lá em cima durante o tempo todo, além de possibilitar a ocorrência do acaso.

A Copa é um torneio interessante, do qual o próprio Grêmio obteve lucros e dividendos significativos. Construímos a nossa memória como pioneiros, mas não temos mais tido envolvimento e dedicação por parte de nossos jovens, que utilizam o Tricolor como barriga de aluguel para enriquecerem na Coreia do Sul, na Suíça, na Ucrânia ou no Japão, ao invés de terem uma marca reconhecida por aqui. O acaso tem diminuído nos últimos anos, com a redução da chegada de clubes da Série B às fases decisivas e com a repetição de figurinhas carimbadas do cenário do futebol nacional.

Isso demonstra que investir mais não apenas favorece um desempenho vitorioso no campeonato (enduro, maratona, longo prazo) como também no torneio (adrenalina e acaso).

Uma duração maior e mais clubes na Copa do Brasil valorizam a competição. Todavia, a época na qual ocorre e a concorrência com a Libertadores e com a Sul-Americana não deveria ocorrer.

Os ESTADUAIS, por sua vez, não deveriam ser disputados por grandes clubes com seus planteis profissionais. Para os grandes, disputá-los hoje consiste em tentar revelar jogadores da base, mas a maioria é jogada aos leões cedo demais e a quantidade de jogos dificilmente permitirá reconhecermos algum valor.

Como taça, como estatística, nem mesmo a rivalidade regional apresenta interesse. Não considero nem como consolação uma eventual vitória em Grenal e um troféu de campeão estadual, pois isso tende a enganar a todos (torcida, direção e mídia) acerca das reais possibilidades do vencedor.

Até mesmo para os pequenos clubes do interior é necessário rever esse modelo, pois eles não crescem em nível nacional, não obtém patrocinadores de vulto e não disputam partidas contra clubes de outros estados com maior poder aquisitivo, pois esse, sim, seria um parâmetro balizador da importância da sua existência para uma comunidade e para o esporte em si.

O célebre geógrafo Aziz Ab’Sáber falava em 81 regiões de mesma vocação socioeconômica e cultural no país. Essa sub-regionalização (bem mais estratificada do que as próprias subdivisões subjetivas definidas sem muito critério pelos próprios estados ha décadas) traria poucas distâncias, viagens curtas e baratas e movimentaria mais a economia de lugares pequenos e afastados dos grandes centros.

Esses campeões sub-regionais teriam vaga garantida em uma Copa do Brasil, que iniciaria por grupos entre os melhores de cada sub-região, começando com 256 clubes como na Copa da França, por exemplo. Dessa forma, haveria uma sinergia entre o time e a população local e fomentaríamos todas as rivalidades eminentemente locais para o público que prefere o futebol de raiz, aquele mais romântico e não tem tempo nem dinheiro para apreciar os grandes.

Voltemos agora ao Brasileirão: o público quer mais emoção, apesar de muitos ainda não terem entendido que cada time deveria jogar a morrer tanto um Grenal quanto uma partida contra a Chapecoense, pois todos os jogos valem os mesmíssimos três pontos. O que importa é o conjunto da obra, não um desgaste físico e emocional exagerado contra o Tradicional Adversário para depois perder duas partidas que não poderiam ter sido perdidas no momento decisivo. Toda partida é fundamental, mesmo que seja delicioso tocar flauta no vizinho. A vitória sobre esse rival precisa ser mais um tijolinho em uma construção, e não uma tentativa de enfiar um matacão granítico onde deveria haver um tijolo. Precisamos pensar em nós, não neles. Precisamos pensar na CAMPANHA, não em brilharecos pontuais.

Mas aí vocês perguntam: “Hélio, como trazer emoção e como valorizar cada jogo se a torcida tende a “brochar” quando o clube aparenta não ter mais chances de disputar o título e está longe da zona de rebaixamento?”

Bem… Algo que nunca assisti, li ou discuti antes no Brasil é a revisão dos critérios de desempate e da ordem dos jogos mantendo a mesmíssima fórmula de disputa. Só isso já seria suficiente para tornar o Brasileirão mais ofensivo ao mesmo tempo em que aumenta a memória do torcedor sobre os confrontos com cada adversário a partir da valorização das múltiplas rivalidades.

Qual seria a minha proposta? De realizar consecutivamente os dois confrontos entre cada um dos 20 clubes da Série A ao invés de mantermos o turno e retorno à moda europeia, valorizando os confrontos diretos ao invés de deixá-los esquecidos. Por exemplo: hoje, se o Grêmio joga contra o Cruzeiro e perde por 1×0 na 17ª rodada no Mineirão, somente o noticiário a partir de dois dias antes do jogo de volta lembrarão dos gols e das peculiaridades daquele resultado. Do contrário, ele passará quase batido pela nossa memória.

Aquela corneta gostosa do “grande contra os grandes e pequeno contra os pequenos” e a noção do time que “não dá mole pra mané” tornar-se-ão muito mais presentes nas nossas conversas e ajudarão a rechear a mídia de informações muito interessantes. A narrativa desses duelos de ida e volta consecutivos será mais rica, pois o frango de um goleiro no primeiro jogo manterá o suspense de como ele irá se recuperar emocional e tecnicamente contra os mesmos adversários, sem tempo para esquecer o trauma; uma sucessão de disputas ríspidas entre um volante e um meia ou entre um zagueiro e um atacante que não tiverem sido expulsos terá continuidade daqui a três dias ou, no máximo, daqui a uma semana?

Existe melhor forma de motivar um plantel e de mobilizar a torcida do que uma mídia espontânea e contínua a fim de criar expectativa para um duelo que precisa ser resolvido rapidamente? ;)

E quanto à mudança na ordem dos critérios de desempate e no estabelecimento de um novo critério? Isso se faz necessário para fomentar a emoção, para aumentar a quantidade de contra-ataques e para estimular a formação de meias de ligação e de atacantes de velocidade por todo o país.

Logo abaixo dos pontos corridos, o primeiro critério deveria ser o CONFRONTO DIRETO, com a seguinte ordem de subcritérios: pontos corridos, gols pró, saldo de gols e, finalmente, maior número de gols fora de casa.

No entanto, como o campeonato permanece sendo por pontos corridos e em 38 rodadas, o confronto direto só vale para diferenciar duas campanhas iguais em pontos – que isso fique bem claro.

Caso a igualdade em pontos e no confronto direto permaneça, o critério seguinte será o maior número de gols pró. Na sequência, maior saldo de gols.

Dessa forma, os ataques e os contra-ataques sempre serão privilegiados. A busca pela vitória superará muito a busca pelo empate, reduzindo enormemente as retrancas dos pequenos. Além disso, a cobrança do próprio plantel e da própria torcida caso ocorra alguma desvantagem no confronto direto perante algum dos “cabeças” da classificação será sempre por vencer o próximo jogo.

Para a televisão, o interessante passará a ser a valorização de cada duplo duelo, mantendo o pay per view assim como ele está, mas procurando facilitar o envolvimento da audiência ao dedicar espaço igual nos noticiários para cada confronto, além de transmitir os dois jogos no mesmo dia da semana e no mesmo horário.

Dessa forma, acredito que, independentemente da escassez de craques, o futebol brasileiro irá tornar-se mais veloz (que é a nossa grande lacuna perante a Europa, com reflexos positivos para a Seleção), mais emocionante (atraindo público para as arenas e para a TV, trazendo os mais velhos de volta) e – sem sombra de dúvida – muito mais vendável, possibilitando à TV, às federações e aos clubes faturarem muito mais em vendas para o exterior e em transmissões via internet.

Como essa sugestão me parece encaminhar-nos para um círculo virtuoso, as associações, a venda de produtos, os convites para amistosos na Ásia, na América do Norte e na Europa, a possibilidade de nós trazermos times de fora para cá e o faturamento possibilitarão investimentos que tornarão nossos clubes novamente competitivos em nível global.

Como Garrincha disse a Vicente Feola em 1958 na Suécia ao final da preleção, “só faltou combinar com os russos”. E aí? Vamos tentar pôr essa ideia em prática? ;)

GRÊMIO: PEÇO MUITA SABEDORIA NA MONTAGEM DO PLANTEL 2015

Após a melancólica despedida do #BR14 com uma atuação lastimável, é chegado o momento de nos preocuparmos com o futuro: como será o Grêmio em 2015?

Pessoalmente, preferiria que o ex-presidente Fábio Koff e o futuro presidente Romildo Bolzan fossem mais claros e mais específicos acerca da inevitável e radical “mudança de fotografia” no plantel tricolor para a próxima temporada: afinal de contas, há jogadores que são muito ou pouco dispensáveis e não seria nada bom sermos forçados a abrir mão de uma “espinha dorsal” que nos desse uma segurança mínima para um ano que promete ser muito difícil.

Ao mesmo tempo (embora pareça pedir demais), adoraria poder ver um utópico consenso na torcida: entendo que precisamos crescer devagar (pelo no mucho) e continuadamente. Isso significa que é melhor criar condições quase perenes de podermos atingir grandes títulos na maioria das futuras temporadas do que permanecer nessa condição de “montanha russa” ou de “eletrocardiograma”, na qual alternamos temporadas muito próximas do topo com temporadas de um risco absurdo de nos instalarmos no limbo.

Defendo que a meta financeira seja sempre respeitada e jamais ultrapassada. E precisamos destinar parte de nossa receita para “pagarmos títulos”. Todavia, parece ser muito determinista e muito vago – ao mesmo tempo – estabelecer que precisamos reduzir 30% da folha de pagamento em 2015 para preservarmos uma necessária capacidade de endividamento.

Que os especialistas em gestão não enxerguem uma crítica nem uma contradição nas suas exigências técnicas aí: neste caso, a bola está com os homens do futebol, que costumam misturar o seu lado torcedor com as críticas de uma imprensa nem tão especializada assim e com o medo de perderem apoio politico dentro de um Conselho Deliberativo que peca pela alternância entre governismo e oposicionismo, além de uma cornetagem generalizada.

Sabemos que é dificílimo lidar com pessoas: tanto dirigentes quanto técnicos possuem experiência e intuição, mas tenho certeza de que todos os gremistas gostariam de conhecer critérios mais objetivos do que subjetivos de avaliação de jogadores. Temos avaliadores de desempenho, ex-atletas laureados, preparadores físicos e técnicos nas categorias de base que já passaram por vários clubes vitoriosos e um amplo conhecimento da cultura do clube aí acumuladas.

Quero crer que esse pessoal todo seja ouvido. Não vejo como positiva uma avaliação cabal de “vai ou fica” restrita apenas a Felipão, Murtosa, Ivo Wortmann, Rui Costa e Fábio Koff: apesar de parecerem cabeças privilegiadas e – de fato – serem os principais definidores da montagem do time, todos pensam de maneira muito parecida e, em situações extremas, um outro olhar é sempre muito importante.